Miguel Fonseca Aquilo que se passou à saída da Comissão Nacional do PS tem um nome e tem um responsável moral: António José Seguro! Os insultos de “traidor” a um candidato a Primeiro-Ministro por parte dos apoiantes de Seguro são um insulto à própria Democracia e à liberdade de eleger e ser eleito. Um governo liderado por António José Seguro fará isto ao líderes dos outros partidos candidatos ao parlamento e ao governo, é a pergunta que se impõe!
Sei bem do que falo porque também já fui insultado e vilipendiado por esta formiga branca, estas carraças que tomaram de assalto o aparelho dos partidos. E é esta gente que decide quem governa os partidos e, em última análise, as câmaras, os governos e os parlamentos. Por alguma razão o País chegou aonde chegou. O problema é que esta gente não aprende nada nem se esquece de nada! Continuam lá a impedir a urgente renovação dos partidos, do sistema partidário, da própria democracia. Terão aprendido alguma coisa com os resultados das Europeias, em que o Governo foi estrondosamente derrotado, sem que nenhuma força política surgisse como claramente alternativa?
Terão reparado que mais de um quarto de milhão de eleitores se deu ao trabalho de ir às urnas votar em branco ou nulo, num claro protesto contra o sistema partidário? Terão reparado que a esmagadora maioria não foi votar, dando com os pés no sistema? Perante isto, só restam duas hipóteses: ou conseguimos apresentar novas soluções e outros protagonistas, ou o sistema partidário, essencial à Democracia, cairá de podre, engolido pela voragem de indivíduos que tomaram de assalto os partidos democráticos. Ou conseguimos vencer o descrédito a que estes protagonistas conduziram a democracia ou a ameaça de tentações totalitárias e populistas espreitam a sua vez no horizonte, com se viu por essa Europa fora nas eleições europeias! Quem não conhece a História, tem ali tão perto o centenário de 1914, em que a mesma gangrena deu cabo da Democracia, e o mesmo fez em 1939.
Se baixarmos os braços, seremos levados na onda facciosa que submerge o sistema partidário e deixaremos sucumbir o regime democrático. Mas, se agirmos com determinação e convicção, então conseguimos salvar a Democracia. Se não lhes fizermos a vontade e formos capazes de reunir os cidadãos que não estão para se sujeitar ao enxovalho e ao insulto, e todavia querem exercer a cidadania, através de plataformas cívicas de participação política, conseguimos não só derrotar o aparelhismo e o caciquismo mas também reerguer a própria Democracia!