Há que por termo ao enterro de dinheiro, de cada um e de todos nós, na ex-marina do Lugar de Baixo.
Parece já terem sido gastos mais de 100 milhões de euros num projecto que era para ser uma marina pública. Nossa. Feita com o nosso dinheiro e a poucos quilómetros de uma outra, também nossa, também feita com o nosso dinheiro. Duas marinas. Uma ao lado da outra. Disparate ! Uma foi concluída, tem barcos e não é nem será rentável. É paga com o dinheiro dos nossos impostos. Pagos pelo nosso trabalho.
Da desgraçada obra do Lugar de Baixo, todos sabem a história e apenas não fazem ideia de quanto vai custar ao salário de cada madeirense. E deviam saber exactamente quanto vai custar. Porque é dinheiro público e até porque já se ouvem novas “ideias” para o local.
Se houvesse pudor pelos gastos com o dinheiro dos nossos impostos, antes de se gastar mais qualquer euro, há muito que se explicava com pormenor o que ali se passou, se está a passar e se passará.
A actual administração da Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste, que está isenta de responsabilidade na concepção e construção deste berbicacho, devia, por isso mesmo, prestar esclarecimento público.
Existem duas soluções possíveis, ambas com o denominador comum de NEM MAIS UM EURO PÚBLICO PARA A EX-MARINA DO LUGAR DE BAIXO. Uma, é fazer um concurso público para concessionar o local a empresa privada, para qualquer fim que fosse aceite pela Câmara Municipal da Ponta do Sol.
A outra é esquecer o mamarracho.
Agora, mais dinheiro das pessoas para tamanho desterro ... nem pensar. Se aquela “obra” fosse de qualquer um dos governantes, há quanto tempo tinha deixado de gastar lá dinheiro ? Há tanto quanto devia ter parado de lá deitar dinheiro por não ser seu. Nem o dinheiro, nem a “marina”.
Se nenhum privado estiver interessado em investir numa qualquer nova solução para o local, a que título vai o governo inventar uma despesa adicional ?
Atrapalha algum partido ou algum político aquilo ficar assim até o mar levar ? Deve envergonhar muito mais pôr lá dinheiro dos impostos do povo.
E, por uma razão muito simples: nada que lá se faça tem interesse público, é indispensável ou, sequer, prioritário para a população.
Como já não o era quando ali resolveram fazer uma marina. A marina do lado, na Calheta, também ela dispensável como investimento público, tem lugares vazios. Outra privada, do outro lado da ilha no Caniçal, também.
Continuo a insistir: o único lugar adequado para construção de uma marina privada, com potencial desenvolvimento económico que a sustentasse, é o vale do Porto Novo. Como Savino Correia chegou a promover. Não fora a tacanhez de lá pôr o lixo e toda aquela costa da Madeira estaria mudada e valorizada. Mas nenhum membro do governo, mesmo aqueles que agora pressionam tudo e todos para impingirem as suas candidaturas, tinham interesse em Santa Cruz. É na Calheta e na Ponta do Sol que estão as suas “prioridades”. O resultado está à vista mas não se sabe quanto vai custar ao povo.
Inaugurada e abandonada como marina, seguiu-se a decisão de mudar para zona de recreio. E, agora, vêm os golfinhos ! Será que uma costa com tantos golfinhos livres no mar, que se podem ver em inúmeras embarcações apropriadas, precisa de os ter em cativeiro ?
Existe um paralelo entre esta ex-marina do Lugar de Baixo e a futura, ou também ela ex-futura, lagoa do Santo da Serra. A diferença crucial é que enquanto a reserva de água doce é absolutamente indispensável a bacia de água salgada é obsessão doentia e irresponsável. A semelhança, por sua vez, é a de que nada obriga a concluir a lagoa do Santo da Serra. Se não pode ser, acabe-se com mais essa loucura e parta-se para uma nova solução económica e tecnicamente vantajosa. Agora, insistir no erro .... só porque o dinheiro não é seu ! E não podemos aceitar.
O Juramento de Filipe VI Chamo a atenção para o juramento da constituição por parte do novo e jovem rei de Espanha, Filipe VI, o qual reproduzo na íntegra : “ Juro desempenhar fielmente as minhas funções, guardar e fazer guardar a Constituição e as leis, e respeitar os direitos dos cidadãos e das Comunidades Autónomas”.
Espanta a diferença para Portugal onde as Autonomias Regionais nem merecem qualquer referência nos discursos do Presidente da República e do Primeiro Ministro.
Em Espanha é motivo específico do juramento do rei. Faço votos que Filipe VI seja bem sucedido, pelo menos, nesta sua obrigação constitucional.
Uma vénia de admiração para o ex-rei Juan Carlos que nas Cortes, na celebração dos 25 anos das autonomias espanholas, disse : “ As Autonomias são a maior realização da democracia espanhola”. Viva a Espanha das autonomias !
Miguel de Sousa