Decorreu praticamente um mês sobre as eleições europeias. Muito se falou e escreveu sobre o tema mas este não se esgotou no acto eleitoral. Precisa de uma análise fria e uma reflexão profunda entre os 28 países que foram a votos uma vez que estas eleições causaram mais turbulência no interior dos partidos políticos do que no essencial que seria uma verdadeira mudança nas políticas sociais e económicas da UE Ou muito me engano ou a UE tem apenas 5 anos para convencer os cidadãos que o projecto europeu vale a pena ou correm o risco de nas próximas eleições ninguém ir às urnas. Então os políticos querem convencer-nos que não perceberam que a abstenção foi um sonante grito de protesto pelas políticas que têm sido seguidas tanto a nível europeu como a nível dos países? Não perceberam que os 66% de abstenção em Portugal, os 77% na Polónia ou os 87% na Eslováquia são uma indicação que os europeus estão a ficar fartos da sua incompetência e dos seus erros e que não será o voto obrigatório ou o voto electrónico que irá mudar a situação? Enquanto houver tantas mordomias para os políticos que ocupam as cadeiras do poder nunca mais acabará a ganância e a corrupção porque os valores envolvidos são tentadores. A classe média que antes era composta por médios e pequenos empresários está em extinção para dar lugar a uma nova classe média que são os políticos como os 751 Deputados europeus que levam, ao fim do mês, 6.200€ já livres de impostos enquanto o médio e o pequeno empresário que investe todo o seu dinheiro num negócio chega ao fim do mês e não sabe se tem lucros para pagar ordenados e impostos. Impostos esses que, paradoxalmente, irão sustentar as tais mordomias dos políticos . É isto que a classe política faz que não percebe e pensa que a obrigatoriedade do voto vai resolver a situação? Tenham a coragem de implementar políticas sérias com gente séria e honesta e verão quanto irá diminuir a abstenção em futuros actos eleitorais. Tenham a coragem de descer do seu pedestal dourado e vejam como o comum cidadão que os elege é empurrado para a miséria extrema e degradação social porque a classe política apenas se lembra dele na altura das eleições. A população começa a ficar farta de tanta incompetência e promiscuidade entre os grandes “lobbys” e o poder político. Para agravar a situação isto tornou-se de tal modo controlado que é impensável a qualquer país abandonar a UE , já que ficaria entre dois blocos económicos, a América do Norte com o dólar e a UE com o euro. Imagine-se o velhinho escudo português a competir com estas duas moedas. A solução possível - previsível - seria cair todo o bloco europeu com cada país a voltar a controlar a sua moeda e a sua economia ou então Estados Federados europeus com uma política comum onde o poder político se sobrepusesse ao poder económico. Já Tony Judt um grande historiador sobre a História da Europa do século XX no seu livro “Uma Grande Ilusão” um ensaio sobre a Europa, escrevia: “por muito que me custe dizê-lo agora, julgo que a família europeia deve agir de forma unida , a uma só voz, ao abrigo de um Conselho da Europa”. É verdade que a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) foi fundamental na prevenção das constantes guerras entre países europeus mas se nessa Europa dos seis havia o pensamento de construção de uma Europa unificada, com o passar dos anos esta tornou-se apenas num continente unificado. Também a jornalista americana Janet Flanner num dos seus despachos para o “New Yorker” previa uma era futura de concorrência intraeuropeia entre nações desesperadas pelos escasso recursos. Tudo está a acontecer. Agora que chegamos a um beco sem saída é caso para perguntar, afinal de que nos serviu a adesão à UE ? é certo que entrou muito dinheiro em Portugal durante estes anos mas verifica-se agora que isso não passou de um grande negócio para os gananciosos usurários do poder económico emprestarem dinheiro cuja cobrança - apenas dos juros- estão a levar a política económica e social dos pequenos países à ruína total. Da amortização do capital falamos mais tarde! Tomemos como exemplo o nosso país. O Governo de P. Coelho e P. Portas impõem-nos 3 anos de austeridade para pagar dívidas mas a dívida pública continuou a aumentar em Abril, face a Março de 2014 no valor de 5.213 ME para 225.897 ME. Por sua vez o valor da dívida líquida de depósitos subiu na mesma data de 197 ME para 202 ME. O comércio definha, os portugueses emigram e a miséria alastra. Se Juntarmos a tudo isto a vigilância apertada – entenda-se mais medidas de austeridade - que a “Troika” vai exercer sobre nós até 2045, digam-me se não temos pela frente um futuro bastante negro que tornará os pequenos países, pedintes e escravos dos países endinheirados. Alguém compreende para que serviu tantos sacrifícios? Marinho Pinto ganhou lá uma cadeira, na bancada dos liberais, porque em Portugal falou bem alto em defesa dos mais fracos, veremos se não irá emudecer no hemiciclo do P. Europeu.
Juvenal Rodrigues