Tenho tido o gosto e a oportunidade de manter contacto frequente, com um conjunto de velejadores madeirenses que se encontram “embarcados” em diversas experiências ligadas ao mar e à Vela, alguns pertencentes à tripulação do projecto Soto 40, que envolve uma dezena de velejadores formados em São Lázaro, e que tem participado, entre outras, na emblemática competição Copa do Rei, na vizinha Espanha, outros envolvidos em provas como a America’sYouth Cup, casos do Paulo Manso, e ainda outros ausentes em contratos como tripulantes demegayaths e de veleiros de luxo, casos do Francisco Pontes e do Gonçalo Olim. Todos reconhecidos velejadores, com provas dadas nos mares da Madeira e Porto Santo, e que aliaram o seu knowhow, sedimentado ao longo dos anos, em competições regionais e internacionais e de lazer náutico, às características exigidas de profissionalismo, e decidiram partir em experiências além mar, abrindo uma nova perspectiva pessoal, mas também permitindo aos que cá ficaram de apreender em primeira mão, como é que o Mundo gira à volta do Mar e da Vela, testemunhando boas práticas, e vivendo experiências, que se constituem como um verdadeiro bentchmarking face ao nosso potencial, mas também do que há a fazer e de principalmente como não fazer. Temos por isso aqui, uma reserva de knowhow, constituída por todos estes madeirenses nautas on tour, que se pode potenciar, através da sua rede de contactos e dos meios que convivem, normalmente de difícil acesso, por forma a podermos promover a Região, e claro está o Mar, e a Vela, para além de poderem validar argumentos e dar a sua apreciação de como proceder em matérias tão específicas como as infra-estruturas e acessibilidades marítimas, mas também como o tipo de competição que está ao nosso alcance de captar, e quais as acções que se deve perpetrar, conhecidos que são os nossos parcos recursos, obrigando a decisões cirúrgicas e concentração dos meios em um conjunto específico de acções. Outros activos de knowhow existem, para além dos exemplos que dei, alguns residentes, outros ausentes, que actualmente estão envolvidos em áreas mais técnicas e que versam outros sectores da Economia do Mar, sendo comum a todos o gosto pela Madeira e Porto Santo, e uma certa impaciência para que a Região assuma decididamente uma aposta no Mar, pois conhecem bem o retorno em outras paragens. Neste sentido, é propósito da ARVM – Vela Madeira, constituir, juntamente com alguns destes embaixadores da Vela Madeira no Mundo, um grupo de trabalho que se dedicará ao estudo dos eventos náuticos a promover na Madeira e no Porto Santo, com o objectivo de criar um documento de acção, onde se identificarão os eventos náuticos que poderemos realizar no arquipélago, apresentando o suporte económico-financeiro, e respectivo plano de acção, envolvendo os parceiros institucionais e de promoção, por forma a podermos quantificar esse efeito a toda a linha, gerando negócio para a economia local, nomeadamente para o turismo, a restauração, a animação, o comércio, a logística, os transportes, e também promovendo a Região, através deste tipo de eventos, cuja capacidade de arrasto é inequívoca, constituindo também mais uma forma de podermos colocar a Madeira e o Porto Santo no mapa, através do desporto e do Mar.
Sérgio Jesus Presidente da ARVM