Maria do Rosário Vieira Fui educada na Igreja Católica e catequisada a amar e temer a Deus que manda para o inferno quem se porta mal e dá o céu aos bons. Mais crescida, cansei-me deste Deus castigador, das insípidas e cinzentas missas e da hipocrisia de algum clero que gosta mais de julgar do que acolher.
Os caminhos insondáveis da vida conduziram-me às oficinas de Oração e Vida: quinze encontros semanais numa paróquia, dirigidos por duas guias simples mas a respirar a Fé que eu não tinha, inspiradas numa Nova Evangelização proposta pelo falecido Frei Ignácio Larragãna. Sim, neste serviço, metódico, disciplinado e com a mão estendida a todos, aprendi o que é ser cristão. Redescobri a beleza do Evangelho, aprendi a olhar os outros como irmãos que são, a perdoar o imperdoável, a respeitar os ungidos do Senhor, e a encontrar-me com Ele bastando para tal o silêncio diário e a leitura meditada da Palavra.
Nas tristezas da vida, quando todos procuram o médico, o psicólogo, o amigo confidente nem sempre disponível, encontrei em Deus o melhor dos companheiros. Mas tive de abrir-me aos ensinamentos desta Pedagogia. A um Deus sempre disponível e com um amor gratuito. Aprendi, nesta Pedagogia, a entregar nas mãos de Deus os meus dissabores. Desenganem-se: não há milagres. Mas enfrento os problemas com uma paz inexplicável, capaz de tudo dobrar e até melhorar. Reaprendi a respeitar os sacerdotes e todos os membros da Igreja que, incansavelmente e com sacrifício pessoal, vão ao encontro preferencialmente dos pobres. Aprendi que não poderia viver e ser feliz sem o melhor dos alimentos: a Palavra de Deus.
Nunca tive perfil para beata de sacristia. Nunca tive perfil para adular calculadamente ninguém. Nunca prestei honras a quem julga de forma implacável o rebanho, numa setária selecção dos alinhados e desalinhados. Mas assumo-me, no recato da minha intimidade, como admiradora incondicional e fervorosa de um Deus que a todos ama, que corre para os braços dos pecadores porque sabe que o céu se alegra mais com a conversão de um pecador do que com 90 justos, que não vergasta quem erra ou ousa pensar de forma diferente. Descobri este tesouro na Oficina de Oração e Vida, quase aos 50 anos, pelas mãos das guias Francisca Ramos e Rosita Estanislau. A minha sincera homenagem!
Fico a pensar nas palavras do Santo Padre que quer construir uma igreja sempre “em saída”, em demanda do outro, seja cristão ou ladrão, que não espera na sacristia que lhe batam à porta. Já o tinha aprendido pela boca santa de Frei Ignácio e das guias. Por isso, Senhor Bispo do Funchal, a minha homenagem a Si por apoiar as Oficinas de Oração e Vida nas paróquias. Alguns párocos ainda as rejeitam porque não as conhecem.
Compreendemos. Verão nestes eficazes encontros uma evangelização de pacotilha ou uma concorrência desleal ao seu serviço? Muito pelo contrário. É o melhor dos complementos para vos aproximar do rebanho tantas vezes perdido e angustiado. Como disse, reaprendi a compreender e a valorizar a missão da Igreja, dos seus sacerdotes e a beleza das liturgias. É importante, Senhor Dom António Carrilho instituir este serviço em todas as paróquias como uma proposta nova e necessária de evangelização junto de jovens e adultos. Disto também darei o meu modesto eco ao Papa Francisco, se para tal tiver “engenho e arte”, porque não basta dizer que queremos uma Igreja sempre em demanda dos pobres e do outro mas passar das palavras aos actos. As discretas mas eficazes Oficinas de Oração e Vida são uma das sementes que urge lançar nos campos.