O povo tem sempre razão sobretudo quando nunca foi convidado a se pronunciar No rescaldo das eleições europeias temos menos Europa, tal como exprimiram uma vez mais, as habituais altas taxas de abstenção. O Povo tem sempre razão sobretudo quando nunca foi convidado a se pronunciar, sobre o esquartejamento da nossa soberania, nesta atabalhoada construção europeia. Só lamento que à ABSTENÇÃO, não correspondam as respectivas CADEIRAS VAZIAS nos parlamentos. Bruxelas e Estrasburgo vão estar carregadinhas de euro-cépticos e xenófobos. Só a extrema-direita e nacionalistas somam mais que todos os eurodeputados portugueses. A Europa incubou serpentes, com a “Caixa de Pandora” escancarada, agora se não arrepiar caminho, vai ter de assumir o que daí resultar. Os partidos da troika interna estão vazios. Discursos ocos, sem alma. PS, PSD e CDS, mostraram o pouco que os distingue. Todos se anulam. Se dúvidas restassem, a soberania do voto assim demonstrou. PS e PSD não descolam nem galvanizam a rotura que se anseia, nem mesmo com o CDS a sassaricar dum lado para outro de muleta estendida, à espera de estacar uma qualquer “estabilidade pendular”, e assim garantir o seu quinhão de poder. No Funchal a idílica “mudança” despistou-se, com o requinte de traições e golpes matreiros. A “mudança” era afinal um simples biombo com um PS por detrás, que trepou sobre umas franjas do eleitorado alheio, para se abancar munido da sua côrte, no antigo Palácio Esmeraldo Carvalhal. Agora dispomos duma coligação manca, enfraquecida, com uma equipa “B” menos plural, mas quiçá, mais “facilitadora” com a imaginação a fervilhar em torno dessa semântica, e dessa qualificação (de que eu não sou autor). O que vier dali, terá provavelmente um modesto prazo de validade. O oráculo municipal já não prevê mais manifestações nos Paços do Concelho a reclamar cabeças na bandeja. A reivindicação não-sufragada, foi obedientemente atendida entre silêncios ensurdecedores e cumplicidades opacas. A lista de substituíveis já encolheu. Mas ainda há descartáveis que mantendo apoio a esta aziaga recauchutagem, se contentam - envaidecidos com o restolho que lhes possa cair da peneira - a caucionar a torpe desvirtuação maquinada. O PS está em ebulição. Com tanto apelo a eleições antecipadas com pífias vitórias fedendo a derrotas, o feitiço apontou ao próprio (aprendiz de) feiticeiro. Ora, aqui está um bom mote para a tão papagueada “mudança”. Basta um Marinho Pinto, para fazer ruir o tabuleiro deste xadrez bloqueado. Alguém que fale “diferente” do ensonado diapasão que adormece a boiada fatigada, de tanto ruminar as meias-palavras. Ele não precisou de correcção facial, nem de elaboradas técnicas de marketing político. De uma assentada, materializou dois eurodeputados empapados no exótico molho do protesto, que as ditas e tradicionais alternativas em acentuado descrédito, não conseguem mais absorver. Se é o boneco ou o ventríloquo, tanto faz. Se fala a linguagem simples que queremos ouvir, está garantido. A dispersão dos votos é uma centelha que encandeia qualquer alternativa política em 2015, à qual a actual governação está grata. Segue-se uma Europa sofrida que à deriva, bolina rumo a uma tempestade em formação. O desaire cumpre-se no Continente das “Luzes” que, de tão velho que é, poderá estar a ficar senil ou, simplesmente a reabrir feridas que se julgavam saradas. Donato Macedo

O povo tem sempre razão sobretudo quando nunca foi convidado a se pronunciar

No rescaldo das eleições europeias temos menos Europa, tal como exprimiram uma vez mais, as habituais altas taxas de abstenção. O Povo tem sempre razão sobretudo quando nunca foi convidado a se pronunciar, sobre o esquartejamento da nossa soberania, nesta atabalhoada construção europeia. Só lamento que à ABSTENÇÃO, não correspondam as respectivas CADEIRAS VAZIAS nos parlamentos. Bruxelas e Estrasburgo vão estar carregadinhas de euro-cépticos e xenófobos. Só a extrema-direita e nacionalistas somam mais que todos os eurodeputados portugueses. A Europa incubou serpentes, com a “Caixa de Pandora” escancarada, agora se não arrepiar caminho, vai ter de assumir o que daí resultar. Os partidos da troika interna estão vazios. Discursos ocos, sem alma. PS, PSD e CDS, mostraram o pouco que os distingue. Todos se anulam. Se dúvidas restassem, a soberania do voto assim demonstrou. PS e PSD não descolam nem galvanizam a rotura que se anseia, nem mesmo com o CDS a sassaricar dum lado para outro de muleta estendida, à espera de estacar uma qualquer “estabilidade pendular”, e assim garantir o seu quinhão de poder. No Funchal a idílica “mudança” despistou-se, com o requinte de traições e golpes matreiros. A “mudança” era afinal um simples biombo com um PS por detrás, que trepou sobre umas franjas do eleitorado alheio, para se abancar munido da sua côrte, no antigo Palácio Esmeraldo Carvalhal. Agora dispomos duma coligação manca, enfraquecida, com uma equipa “B” menos plural, mas quiçá, mais “facilitadora” com a imaginação a fervilhar em torno dessa semântica, e dessa qualificação (de que eu não sou autor). O que vier dali, terá provavelmente um modesto prazo de validade. O oráculo municipal já não prevê mais manifestações nos Paços do Concelho a reclamar cabeças na bandeja. A reivindicação não-sufragada, foi obedientemente atendida entre silêncios ensurdecedores e cumplicidades opacas. A lista de substituíveis já encolheu. Mas ainda há descartáveis que mantendo apoio a esta aziaga recauchutagem, se contentam - envaidecidos com o restolho que lhes possa cair da peneira - a caucionar a torpe desvirtuação maquinada. O PS está em ebulição. Com tanto apelo a eleições antecipadas com pífias vitórias fedendo a derrotas, o feitiço apontou ao próprio (aprendiz de) feiticeiro. Ora, aqui está um bom mote para a tão papagueada “mudança”. Basta um Marinho Pinto, para fazer ruir o tabuleiro deste xadrez bloqueado. Alguém que fale “diferente” do ensonado diapasão que adormece a boiada fatigada, de tanto ruminar as meias-palavras. Ele não precisou de correcção facial, nem de elaboradas técnicas de marketing político. De uma assentada, materializou dois eurodeputados empapados no exótico molho do protesto, que as ditas e tradicionais alternativas em acentuado descrédito, não conseguem mais absorver. Se é o boneco ou o ventríloquo, tanto faz. Se fala a linguagem simples que queremos ouvir, está garantido. A dispersão dos votos é uma centelha que encandeia qualquer alternativa política em 2015, à qual a actual governação está grata. Segue-se uma Europa sofrida que à deriva, bolina rumo a uma tempestade em formação. O desaire cumpre-se no Continente das “Luzes” que, de tão velho que é, poderá estar a ficar senil ou, simplesmente a reabrir feridas que se julgavam saradas.

Donato Macedo