Para além do dia da Mãe, este será dos únicos dias temáticos que relevo As crianças são os únicos seres divinos que a nossa pobre humanidade conhece. Os outros anjos, os das asas, nunca aparecem. Os Santos, depois de Santos ficam na Bem-Aventurança a preguiçar, ninguém mais os enxerga. E, para concebermos uma ideia das coisas do Céu, só temos realmente as criancinha.” In: A Ilustre Casa de Ramires Eça de Queirós O1 de Junho, dia Mundial da Criança – Para além do dia da Mãe, este será dos únicos dias temáticos que relevo. Não há vida sem Crianças, nossas ou não. Ingenuidade, inocência, brincar de faz de conta, sorriso aberto, o esfregar dos olhos quando o “João Pestana” chega ou mesmo o espreguiçado acordar, a entrega confiante ou o ser princesa ou cavaleiro num reino encantado. No seu olhar, digo intelectual, puro, livre, profundo, cresce um mundo novo. Às vezes as nuvens do medo toldam-no, mas não o apagam. Neste dia não quero lembrar apenas as crianças felizes ou afortunadas. Lembro as que padecem fome, trabalho forçado, violência e abuso, as que são roubadas à promessa evangélica que Eça, na citação acima, descreve. Segundo a Procuradoria-Geral de Lisboa e num relatório trimestral relativo ao período de Janeiro a Março deste ano, foram abusadas por dia, sexualmente, duas crianças. Das vítimas pouco ou nada sabemos; dos abusadores, noutros tempos apelidados de “tarados”, sabemos pela comunicação social que após prisão preventiva, arguidos e julgados, têm penas indemnizatórias, de apresentação regular às autoridades ou pulseira electrónica. Por mim sofreriam imediata castração química! E não sou radical; radical seria se fosse apologista de uma instantânea ablação… Esta semana, na Índia e uma vez mais, duas pré-adolescentes de 14 e 15 anos foram violadas em grupo e depois enforcadas. Em que Mundo vivemos? Que responsabilidades temos quando calamos, num crime cúmplice, o conhecimento de qualquer violência infringida? Porque será que as lágrimas das crianças de cor me parecem maiores, fruto de um choro mais engrossado, mais pungente? Num dia em que quase todos teremos “anjos” rabinos à nossa volta, partilho esta reflexão convosco. Outros dias temáticos – Todos os demais. Maria Teresa Góis
Para além do dia da Mãe, este será dos únicos dias temáticos que relevo
As crianças são os únicos seres divinos que a nossa pobre humanidade conhece. Os outros anjos, os das asas, nunca aparecem. Os Santos, depois de Santos ficam na Bem-Aventurança a preguiçar, ninguém mais os enxerga. E, para concebermos uma ideia das coisas do Céu, só temos realmente as criancinha.” In: A Ilustre Casa de Ramires Eça de Queirós O1 de Junho, dia Mundial da Criança – Para além do dia da Mãe, este será dos únicos dias temáticos que relevo. Não há vida sem Crianças, nossas ou não. Ingenuidade, inocência, brincar de faz de conta, sorriso aberto, o esfregar dos olhos quando o “João Pestana” chega ou mesmo o espreguiçado acordar, a entrega confiante ou o ser princesa ou cavaleiro num reino encantado. No seu olhar, digo intelectual, puro, livre, profundo, cresce um mundo novo. Às vezes as nuvens do medo toldam-no, mas não o apagam. Neste dia não quero lembrar apenas as crianças felizes ou afortunadas. Lembro as que padecem fome, trabalho forçado, violência e abuso, as que são roubadas à promessa evangélica que Eça, na citação acima, descreve. Segundo a Procuradoria-Geral de Lisboa e num relatório trimestral relativo ao período de Janeiro a Março deste ano, foram abusadas por dia, sexualmente, duas crianças. Das vítimas pouco ou nada sabemos; dos abusadores, noutros tempos apelidados de “tarados”, sabemos pela comunicação social que após prisão preventiva, arguidos e julgados, têm penas indemnizatórias, de apresentação regular às autoridades ou pulseira electrónica. Por mim sofreriam imediata castração química! E não sou radical; radical seria se fosse apologista de uma instantânea ablação… Esta semana, na Índia e uma vez mais, duas pré-adolescentes de 14 e 15 anos foram violadas em grupo e depois enforcadas. Em que Mundo vivemos? Que responsabilidades temos quando calamos, num crime cúmplice, o conhecimento de qualquer violência infringida? Porque será que as lágrimas das crianças de cor me parecem maiores, fruto de um choro mais engrossado, mais pungente? Num dia em que quase todos teremos “anjos” rabinos à nossa volta, partilho esta reflexão convosco. Outros dias temáticos – Todos os demais.
Maria Teresa Góis