Foi com satisfação e de certa forma orgulho que li no manifesto do candidato ao Parlamento Europeu pelos Açores, e caro colega Professor Ricardo Serrão Santos, uma proposta para a criação de um ‘Observatório Oceânico’ permanente no Atlântico Nordeste. Esta iniciativa visa não só contribuir para os objectivos do Observatório Europeu Multidisciplinar do Leito Marinho e Colunas de Água (EMSO), como também fomentar a cooperação com os EUA e Canadá, bem como o fortalecimento da pesquisa oceanográfica com foco especial nos fluxos do Mediterrâneo e a oceanografia do Atlântico ao largo dos Açores. Para quem desconhece, a proposta de criação de um ‘OOM-Observatório Oceânico da Madeira’ com índole e objetivos similares, foi uma iniciativa proposta por um grupo de técnicos e investigadores Madeirenses após um encontro regional da especialidade, copromovido pela ARDITI (Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação Tecnologia e Inovação), e pela plataforma ‘Semear o futuro’, liderada pelo Eurodeputado Nuno Teixeira, que teve lugar em Junho de 2013 no Madeira-Tecnopolo. A ideia do OOM, já com imagem própria, foi novamente apresentada e bem acolhida no último encontro organizado pela Comissão Europeia, que teve lugar no Funchal, em Março de 2014, e que contou com a participação do colega dos Açores, propondo a expansão da iniciativa para a dimensão da Macaronésia. Posteriormente, o OOM foi novamente apresentado e elogiado em Canárias no encontro com o gabinete coordenador dos projetos de cooperação transnacional Madeira-Açores-Canárias (MAC). Todos os intervenientes consideram que em ‘coro’ seremos melhor ouvidos num contexto internacional. Para além disso, será muito mais fácil a interação com os nossos parceiros internacionais através de uma representatividade multidisciplinar e multinstitucional própria de um consórcio, ao contrário do contacto com uma série de indivíduos que dificilmente partilham as mesmas disponibilidades e interesses. Infelizmente, e até agora, o OOM ainda não passa de uma ‘boa ideia’, que a Madeira pode (ou não) protagonizar. Para materializar esta iniciativa como ‘marca Madeira’ é urgente o apoio de políticos visionários, de alto nível, e de (verdadeira) dimensão Europeia; necessitamos o que o ‘Observatório Oceânico’ dos Açores tem. Precisamos de políticos sem medo de aderir a um consórcio multipartidário; precisamos de políticos menos preocupados com a sua longevidade e mais preocupados em dar à Madeira protagonismo Europeu. Em suma, precisamos de líderes experientes, maduros, com capacidade de atuação e com visão para além do cordão umbilical que os oxigena presentemente. É urgente uma mudança de paradigma onde ‘promovemos’ a Madeira pelo seu potencial no contexto do Atlântico (como o Nuno Teixeira meritoriamente o fez), e não pela escassez de recursos e (permanente) dependência de financiamento externo. Devemos fazer mais e melhor para ‘merecer’ o ‘investimento (não um mero financiamento) Europeu. A ultraperiferia deve ser vista como um posicionamento estratégico(como está a fazer os Açores) e não como uma ameaça ao desenvolvimento de uma Região inevitavelmente Atlântica. * Investigador e Docente Universitário
Rui Caldeira *