Se há assunto que em poucas décadas ganhou estatuto de grande preocupação mundial, é precisamente a sustentabilidade do planeta, isto é, será possível garantir a qualidade de vida às gerações futuras, explorando os recursos naturais como se eles fossem infinitos? A forma como a espécie humana está a tratar a natureza, o seu meio ambiente, tem evidentemente origem no modelo económico instalado, onde o paradigma é o crescimento económico, o qual se relaciona com a natureza de forma insensível e irresponsável, bastando para isso atentar nas inúmeras espécies de animais já extintos, na degradação da qualidade do ar que se respira entre outras questões que se situam na esfera individual e colectiva, nomeadamente a vida apressada, o stress, a falência de valores, uma “fast-live”. Mas a verdadeira origem do problema, reside numa visão e abordagem do planeta pelo homem, demasiado antropocêntrica, comportando-se não como inquilino, mas como dono e senhor. Considera-se que a passagem da Idade Média à Idade Moderna, justamente com a época Renascentista, originou uma mudança na perspectiva filosófica e cultural, a qual era centrada em Deus, passando a sê-lo no homem. Assim se caminhou na consolidação da ideia, de que, com o advento e o progresso da razão, o homem tornar-se-ia cada vez melhor e cada vez mais perfeito. A sua condição de homo sapiens foi há muito superada e tudo o que é relevante é por obra da acção humana. Esta forma de ver e lidar com o Planeta coloca todas as outras espécies em segundo plano, desvalorizando-as, assim como a crescente degradação ambiental, pois de acordo com esse antropocentrismo suicida, a natureza existe para ser controlada e usada pelos seres humanos. As boas notícias são que, começou a emergir uma consciência ambiental por uma parte da população humana, quanto à sua acção e poder em relação à natureza. Finalmente começa-se a perceber que as acções levadas a cabo pelo ser humano, são fonte causadora de grandes desequilíbrios no meio ambiente, tanto nas espécies animais, como na qualidade do ambiente em si, ou melhor, neste grande ecossistema que é o planeta Terra.
Fernando Rodrigues Cooperante da “Espaço às Àrtes - Cultura Ponto Zero”