Uma foto no ginásio, centenas de ‘likes’, uma foto de um bom desempenho académico, muito menos interessante. O desabafo no Facebook foi feito recentemente por uma conhecida jornalista de televisão e fez soar (pelo menos em mim) o alerta. O que nos motiva, o que mexe connosco, o que nos sobressalta, o que nos enternece?

As redes sociais, a Internet são um bom barómetro, de facto.

E da queixa da minha colega pensei logo nos comentários a notícias no online de jornais, a começar pelo nosso e nas discussões apaixonadas, por vezes, absurdas, que nele se geram.

E daí às novelas mediáticas que se vão sucedendo e enchendo páginas de jornais e horas de emissões televisivas e radiofónicas para depois caírem na insignificância e esquecimento foi um tirinho neste exercício. Veja-se o caso dos Miró, só a título de exemplo.

E outros que vão alimentando as sedentas redes do país dos fait-divers. Não há margem para reflexão. Discussões técnicas são chatas e tudo é rama, que é revolvida nos digitais e esgota-se na espuma dos dias.

E isto é também um ‘mea-culpa’. Porque os meios de comunicação social têm uma obrigação e responsabilidades acrescidas, para mostrar a quem vê, lê e ouve que há mais água para além das ondas gigantescas deste Inverno. Mesmo que isso implique mergulhos mais profundos e seja preciso treinar a apneia dos mergulhadores.