Licínia Romeira Li a 12/12/2014 no DNMadeira, uma carta dos leitores sobre a classificação da escola básica e secundária Dona Lucinda Andrade, carta essa que, em tom irónico, culpava única e exclusivamente os professores.

Como professora (não da Escola Básica e Secundária Dona Lucinda Andrade) e sem sentido corporativo, acho que há vários culpados (e não podem nem devem ser os professores).

Apraz-me então deixar algumas questões.

Vejamos...

Quando aluna do velhinho Externato de São Vicente meu pai dizia sempre que tudo o que eu fizesse seria para mim. Assim continuei pela vida e enquanto mãe procurei incutir isto nos meus filhos; enquanto professora sempre procurei incutir isto nos meus alunos.

Que farão os pais da escola básica e secundária Dona Lucinda Andrade?

Que objetivos incutem os pais nestes jovens? Quantas vezes irão falar com o DT do seu filho, que não seja para ir buscar avaliação? (Saliente-se que muitos jovens, perante os pais já são vistos como “doutores”, face às respetivas habilitações...) Que acções têm sido feitas para responsabilizar os pais alertando-os que o futuro dos seus filhos começa no Agora e na Escola? Não pode estar em Londres, na Suíça ou algures num “El dourado” qualquer!

Que acções têm sido feitas para sensibilizar os alunos, alertando-os que o seu futuro começa no Agora e na Escola?

Que faz o Conselho executivo face à falta de assiduidade ou à falta de estudo dos alunos ou à falta de respeito que os alunos nutrem pela escola e pelos professores? Se calhar culpa os professores. É bem mais fácil...

Sempre me causou impressão ver alunos, em números consideráveis, pelas redondezas em tempos letivos, sem que aparentemente nada seja feito.

Claro que é bem mais fácil “bater” nos professores do que mudar mentalidades de pais e de alunos. Claro que é bem mais fácil “bater”

nos professores do que revelar atitude da parte de um Concelho Executivo que já uma vez, perante o protesto de alunos e de alguns pais inconscientes, recuou.

Como cidadã, como mãe, como professora acho que: “patrão que desculpabiliza os seus empregados; pais que desculpabilizam os seus filhos; escola que desculpabiliza os seus alunos, o” resultado” não pode ser BOM!”

E depois, lá diz o ditado: “casa de pais escola de filhos”….

E em resposta ao autor/a da carta sinto necessidade de acrescentar: tendo sido, durante vários anos, aluna da Dona Lucinda Andrade e, por isso, conhecendo a sua forma de estar nas aulas e sendo eu professora há trinta e sete anos, não me repugna afirmar, com o devido respeito pela Dona Lucinda Andrade e pela sua memória, que, se atualmente, ela fosse professora da escola que a homenageia, não só seria desrespeitada como quiçá seria tratada bem pior….