Amanhã, pelas 18 e 30 no Hotel Porto Mare sem pompa nem circunstancia mas com simpatia e imenso prazer, lá estarei para apresentar o meu livro “Crónicas da Nau Catrineta”.
Amanhã quando o fim da tarde chegar, espero poder reunir no Porto Mare não só os amigos chegados, os colegas de sempre mas também muitos daqueles que ao longo de alguns anos se interessaram pelas minhas crónicas. Gostaria que aceitassem este meu convite pois a vossa presença é não só bem vinda como sugere que este livro fará algum sentido.
Tudo começou quando pretendi reunir um conjunto de crónicas dispersas por diversas publicações.
Crónicas que não são escritas nem por um jornalista arguto, experiente e bem informado nem por um intelectual académico de pensamento complexo e brilhante.
Sou apenas um cidadão que procura estar atento ao que se passa à sua volta e sem constrangimentos prévios permite-se fazer uma análise e sustentar uma opinião.
Um cidadão sem compromissos ou filiação partidária, mas que não aceita ser politicamente asséptico sempre que é confrontado com uma política rasteira, que desconsidera as pessoas, incompetente e mergulhada em “negócios” sombrios. Não tenho a virtude austera e coerente de Miguel Torga, mas assino por baixo quando ele diz: « …. é escusado, não posso ter outro partido senão o da Liberdade. O meu partido é o mapa de Portugal».
Daí a minha permanente disponibilidade para acompanhar todos os que respeitando democraticamente o direito a uma opinião diferente, procuram construir uma sociedade mais justa, livre e solidária. Onde estiverem esses meus companheiros de viagem …. lá estarei com eles! Tudo aquilo que aprendi na vida e a experiência profissional que fui guardando estarão sempre ao dispor desses meus companheiros de viagem, mesmos nos momentos mais delicados e sempre com a lealdade que protege os compromissos assumidos.
Mas esta minha tolerância tão abrangente não é flutuante nem se move ao sabor de ventos e marés. Sei de onde venho e para onde quero ir. Venho das raízes profundas de um país com mais de oito séculos que é a minha pátria, cresci numa cultura cristã que define em mim uma consciência de justiça social e encontrei na liberdade de abril a essência de toda a dignidade.
Porque sou apenas um cidadão que não pertence à tribo dos “homens iluminados” e nem se resguarda no silêncio confortável dos “homens bons”, as minhas crónicas falam de coisas vulgares. Dos meus afetos, das minhas memórias, de muitas duvidas e das “circunstâncias” da vida.
Como para mim ser médico é uma maneira de estar na vida, a Saúde e a Medicina ocupam um espaço nobre e alargado nas minhas crónicas. Pontualmente há um olhar mais técnico e rigoroso que logo se dilui numa preocupação humanista onde se pressentem traços de uma profissão ainda romântica mas em momento de algum sobressalto.
Indiferente ao tema e para alem das circunstancias, em todas as crónicas perpassa ora discreta ora intensa, a presença desta estranha ilha que se entranha e que há trinta anos escolhi como o meu porto de abrigo, sereno e aconchegado.
Luís Amado, no prefácio deste livro, logo o define como: « ….. uma espécie de “livro de vida”, meticulosamente programado e organizado, em que os temas e os textos nos aparecem expostos com o rigor com que se arrumam os instrumentos cirúrgicos no momento operatório».
“Crónicas da Nau Catrineta” é afinal um pouco de tudo isto!
E tudo isto ganhou um novo alcance quando amigos que sempre ouvi com muita atenção, aceitaram embarcar comigo nesta Nau Catrineta. A sua reflexão sábia e amiga juntou-se às crónicas e emprestou-lhes uma qualidade superior. Mas mais ….. o desenho está também presente neste livro. E na sua apresentação ….. não faltará a musica!
Na construção desta Nau a editora o Liberal foi importante e o trabalho da Teresa decisivo.
O convite está feito e o meu prazer em receber bem os convidados motivou o meu empenho para que amanhã a apresentação das “Crónicas da Nau Catrineta” decorra num ambiente agradável, bonito e confortável. Tudo isto foi fácil porque no Porto Mare ….. estou entre bons e velhos amigos!
Manuel de Brito