Impedidos de se manifestar hoje em Paris, os "coletes amarelos" franceses prometeram novos protestos na próximo sábado, apesar das restrições impostas pelas autoridades francesas.

"No dia 31 de outubro, para o 'Terceiro Ato' realizaremos manifestações em toda a França em defesa das nossas liberdades. Apelamos à realização de manifestações sentadas em frente a todas as câmaras municipais e à Assembleia Nacional no dia 31 de outubro", afirmou o porta-voz, Benjamin Ball, a um grupo de jornalistas junto à Praça da Bastilha.

O movimento foi proibido pelas autoridades de avançar com a marcha de protesto que tinha convocado, daquele local até à Praça da Ópera.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, determinou esta semana que apenas os sindicatos estavam autorizados a convocar protestos, recusando aqueles por movimentos "sem qualquer legitimidade".

Segundo Ball, "é indispensável podermos defender as nossas liberdades públicas e fá-lo-emos da melhor forma possível, ou seja, realizaremos manifestações sentadas e, caso estas sejam proibidas, reservamos o direito de as manter na mesma".

"Proíbem as nossas manifestações e anunciam que, a partir de agora, apenas certas organizações terão o direito de se manifestar. Esta decisão foi tomada sem qualquer fundamento jurídico. Contraria a nossa Constituição, que garante a liberdade de expressão e a liberdade de manifestação", acusou.

O movimento dos "coletes amarelos" espera conseguir mobilizar estudantes, trabalhadores, agricultores, enfermeiros, "habitantes dos bairros populares, defensores do ambiente, da vida, da paz e da justiça social".

A poucos metros, a polícia anunciava por um altifalante que estavam interditas concentrações de pessoas na Praça da Bastilha, pois a manifestação convocada hoje por uma frente sindical teria outro trajeto.

Quem desrespeitar esta ordem arrisca-se a ser detido e a uma multa de 135 euros.

Na sexta-feira, a Polícia de Paris decidiu que o itinerário inicial, da Praça da Bastilha até à Praça da Nação, seria realizado numa localização menos central, entre a Praça de Itália e a Porta de Vincennes.

Isto deixou vários jovens manifestantes confusos, como Raphaël e um grupo de três amigas, que carregavam alguns cartazes de apoio ao movimento estudantil.

"Comprámos algumas sanduíches e vamos apanhar o metro", disseram à Agência Lusa após serem informados pela polícia.

Questionados sobre se estavam preocupados com o risco de confrontos violentos, afirmaram que têm "mais medo da polícia".

No sábado passado, uma das amigas de Raphaël chegou a perder a consciência devido ao gás lacrimogéneo, apesar de se encontrar perto dos bombeiros e médicos.

Entre 550 mil e 800 mil pessoas manifestaram-se em todo o país, resultando na detenção de 2.900 pessoas na sequência de distúrbios e pilhagens que afetaram cerca de três mil estabelecimentos comerciais.

Os distúrbios levaram o Ministério do Interior a mobilizar cerca de 70 mil agentes em toda a França, incluindo unidades de elite, equipas com cães e cavalos, carros blindados, canhões de água, helicópteros e drones.

Mas os vários milhares de pessoas reunidos hoje na Praça de Itália, na zona sul de Paris, ao início da tarde, eram uma multidão inferior à da semana anterior.

Até às 13:00 locais (menos uma hora em Lisboa), as forças de segurança francesas registaram 136 ações contra a ordem pública, contra as 264 registadas à mesma hora no sábado anterior, o que resultou em 135 detenções, informou o ministro do Interior.