Confesso que não consigo ver algo de positivo na exibição do Marítimo na Choupana. Para mim, enquanto adepto do Marítimo, é confrangedor a exibição da equipa na sua globalidade, para mais perante um adversário que está longe do fulgor de outras épocas, que ainda anda à procura do seu jogo e que havia apenas marcado 7 golos na Liga em 11 jogos. Com todo o respeito que o Nacional me merece, no jogo de segunda, por tudo o que tinha sido feito até então, o Marítimo era claro favorito (apesar de jogar fora) e (continuo a defender) porque tem melhor plantel – ou pelo menos mais soluções ao dispor do seu treinador (basta atentar às palavras do prof. Manuel Machado). Mas como todos nós aprendemos desde pequenos, o futebol não é matemática.

Então vou dizer o que vi do Marítimo: vi uma equipa de contenção, sem velocidade nas transições ou pelas alas e, sobretudo, sem grande imaginação ofensiva que não fosse o lançamento directo para o Maazou. O Marítimo ainda criou alguns lances de perigo, com destaque para as bolas nos postes e ainda dois remates fora do alvo. Porém, como equipa de contenção, pouco conseguiu o Marítimo suster. As suas alas foram uma autêntica ribeira (um golo consentido em cada lado) e todos os lances de perigo do Nacional surgiram pelos corredores, onde de facto está a mais-valia desta equipa. Ou seja, aquilo que era suposto ser prioritário fechar foi precisamente a maior fraqueza que o Marítimo apresentou. E o que eu vi, ao contrário do que foi dito nas entrevistas do pós-jogo, foi uma equipa que se eclipsou após o primeiro golo e muito por culpa de mexidas tardias e mal feitas. Para mim há um grande responsável por este resultado e esse é quem planeou e montou a equipa que se apresentou na Choupana. Há que dizê-lo com toda a frontalidade, doa a quem doer!

Confesso que escrevo estas linhas com profunda irritação e acredito que, como eu, há muitos Maritimistas tão ou mais chateados quanto eu. Por perder contra o Nacional. Pelos números. Pela paupérrima exibição. Bastará recordar que esta é a derrota mais desnivelada que o Marítimo sofreu desde que há confrontos na Choupana. Desconheço se durante a semana foi transmitida aos jogadores a importância que estes jogos merecem e significam para os adeptos, mas francamente o que vi não gostei. Como também não gostei e não consigo compreender como, nas vésperas do jogo, o nosso treinador, ainda por cima madeirense, presta declarações a dizer que «nós, profissionais, temos de afastar-nos do derby e pensar que é só mais um jogo»! Não é meu caro Prof. Pontes! Não é mais um jogo! É “O” jogo! E é por essas e outras que nos últimos dez confrontos temos apenas 1 vitória conquistada! E tudo isto tem reflexos. Na confiança dos adeptos na equipa, na confiança da própria equipa, na confiança na equipa técnica. E sobre o jogo não escrevo mais para evitar sair algum disparate mais ofensivo aos leitores.

Fechada esta jornada, o Marítimo recebe no domingo o Estoril. Apesar de se verificar se tratar de uma equipa visivelmente em recuperação, o facto de ter de viajar e jogar quinta-feira em Atenas para a Liga Europa, para logo de seguida se sujeitar a outra viagem de avião, desta vez para a “Pérola do Atlântico”, poderá jogar a nosso favor. Precisamos de uma vitória moralizadora urgente. Na quarta-feira seguinte recebemos em casa o Oriental para a Taça de Portugal. Duas vitórias farão os Maritimistas sorrir mais no Natal.

Luís Miguel Rosa