Tal como na Idade Média, os três principais candidatos à liderança do PSD apresentam os perfis que personificam o clero, nobreza e o povo. Senão vejamos…

O Dr. Manuel António é o que mais se identifica com o clero. Sendo o Jornal da Madeira propriedade da diocese, o actual Secretário Regional da Agricultura e Pescas foi o candidato mais fotogénico. Houve uma edição que contabilizei nove fotos e nenhuma foi no suplemento Pedras Vivas. Não juro mas tenho quase a certeza que o Bispo da Diocese não viu tantas vezes o seu retrato no jornal católico durante os anos que já leva à frente da diocese. Nem D. António Carrilho nem nenhum dos prelados regionais mereceram tanto destaque nos 500 anos da diocese. Nada contra, apenas uma constatação de factos!

O Dr. Cunha e Silva personifica a extravagância das grandes obras que a Madeira fez… umas boas, outras más… mas que temos de pagar. Bruxelas não dá nada a ninguém sem contrapartidas e os bancos não são instituições de caridade. Também não consegue desligar-se da coroa da Quinta Vigia e do sistema em vigor quando teve possibilidades de o fazer. Cunha e Silva tem mais qualidades e perfil para exercer outro cargo, como presidente da AR, por exemplo, em vez de funções executivas.

Noutro contexto, a sua ‘nobreza’ compagina-se, também, com a sua forma de estar na política, apresentando as suas ideias e propostas sem ter necessidade de constantemente andar a atacar outros candidatos como por aí se vê.

O Dr. Miguel Albuquerque não sendo um político populacho é a voz social-democrata da rotura com a política dos políticos - passe o pleonasmo - que nos governam.

Da meia dúzia de candidatos é o único que já enfrentou o veredicto popular em eleições para o concelho mais populoso da região, saindo sempre vitorioso. Obtendo mais votos que todos os restantes candidatos juntos e que se colocaram, então, ao lado de Alberto João Jardim. Uma coisa é o ‘povo’ partidário, outra é o povo, povo!

Como se diz na minha terra… ‘chicharros a um lado bogas a outro’. Seria bons que todos os candidatos percebessem isso…

O que esperava era que Miguel Albuquerque fizesse uma autêntica renovação e não colocasse na sua lista certas figuras de estilo (poucas, felizmente), que não são mais-valias, visto por quem está de fora dos meandros e das querelas internas partidárias. Acredito que Miguel Albuquerque fale verdade quando veio a público negar a existência de qualquer ligação da família Ramos à sua candidatura, caso contrário seria o descredito. O mesmo descrédito que usou o JM quando apenas publicou a sua foto de 1ª página, uma única vez e já lá vão muitos meses, para uma notícia de encomenda e má língua. Significativo e esclarecedor!!!

Miguel de Sousa e Jaime Ramos parecem integrar duas ‘seitas satânicas ’ que vão acendendo ‘uma vela a Deus e outra ao diabo’ numa tentativa de seduzir o eleitorado social-democrata para uma ‘boa nova’ que poucos acreditam. Miguel de Sousa, que já foi governante com responsabilidades, até tem algumas ideias interessantes, por isso gostaria de ver a defendê-las como deputado na Assembleia da República com a mesma energia, vigor e persistência quando passa constantemente a atacar Miguel Albuquerque e elogia e abraça Alberto João Jardim. Jaime Ramos só tem ideias para o partido por isso não conta nem ninguém leva a sério a sua candidatura.

Sérgio Marques é um outsider com manancial político e humano credível, capaz de num futuro próximo poder vir a ser um forte candidato a presidente do governo regional, mas ainda não é o momento certo. Como o ‘caminho faz-se caminhando’ vai lançando as sementes à terra para colher frutos no futuro. Preferiu expor-se ao eleitorado e ‘saber quanto vale’ em vez de juntar-se a outra candidatura, mas é um elemento que deveria ser aproveitado por quem vencer.

Miguel Justino