Em dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, o Nacional esteve imaculado no Estádio da Madeira. A vitória de segunda-feira só peca por escassa, dadas as oportunidades desperdiçadas pelos “alvi-negros”, que poderiam ter saído de campo com uma goleada ainda mais dilatada. Mas, apesar de tudo, num dia histórico (104 anos dos alvi-negros), os “rapazes do Nacional” acrescentaram história à já longa e genuína história do Clube Desportivo Nacional. É que esta foi a vitória mais desnivelada num dérbi madeirense. De resto, fez ontem dois anos (9 Dezembro de 2012) que o Marítimo venceu o Nacional pela última vez, quer seja no primeiro estádio do Nacional, quer seja no Estádio da Madeira. Antes disso, é preciso recuar aos arquivos de 2008. Desde então, aconteceram doze confrontos com cinco vitórias do Nacional, seis empates e apenas uma vitória dos “verde-rubros”. Números que confirmam a supremacia dos “alvi-negros”, nos últimos anos. Mas estas contas, fazem parte do passado, e o que interessa são as atuais.
Já havíamos dito aqui, que a equipa estava a crescer, pese embora as derrotas com Benfica e Porto. Os jogadores do Nacional estiveram em grande plano e tudo fizeram para “oferecer” a vitória aos associados do clube. Mas, se os jogadores estiveram bem, é justo dizer que o Prof. Manuel Machado foi determinante na vitória.
A substituição operada ao intervalo, retirando Suk e colocando Willian nas costas de Rondon, baralhou as contas do Marítimo que, não mais se encontrou. O domínio “alvi-negro” da primeira parte foi acentuado e os golos surgiram naturalmente, e outros ficaram por marcar. Foi a cereja no topo do bolo da festa de aniversário. Um marco que começou a ser assinalado no dia anterior num convívio entre associados. Para além das homenagens a Énio Andrade e Vieira Cravo (a título póstumo), o clube soube agradecer a Rui Alves e Alberto João Jardim. Dois homens que foram, e são, importantes para o Nacional. O primeiro teve a ousadia de tirar o Nacional da segunda divisão e colocá-lo entre os melhores, com destaque para a façanha de ter garantido a melhor classificação de sempre de uma equipa madeirense, o quarto lugar “europeu”. Por outro lado, a homenagem a Alberto João Jardim, por ter sido o responsável político pelo crescimento desportivo da RAM.
E foi do chefe do executivo que retive umas das frases mais aplaudidas da festa. Disse que “apesar de não ser o meu clube, foi aqui que encontrei os amigos do peito”.
É mais importante sublinhar a ideia subjacente. A da postura de um clube que sempre pautou a sua orientação pela honestidade e responsabilidade social, sem atitudes de ingratidão. O fim-de-semana, quase que era perfeito para as hostes nacionalistas, não fosse a derrota da equipa B dos juniores. Uma equipa B recheada de juniores de primeira época e juvenis, que defrontou uma equipa mais velha e que até um avançado brasileiro dispõe. Uma derrota que só acontece porque a equipa A do Nacional joga a um nível muito mais elevado (Nacional da Iª Divisão de Juniores). Pena que alguma comunicação social, não tenha sublinhado essa “diferença”, e que alguns aproveitem para escamotear a verdade e enaltecer um feito, que não é assim tão grande. Bem pelo contrário.
Por cá, fico pelo incentivo, e recordando parte da letra da música “A força está em nós” do cantor David Carreira: “Chegou a hora. Este é o tempo. E os teus sonhos vão sorrir. Cinge o pulso. Este é o momento. E o medo vai ter que sair. Armstrong foi à lua. E todo o mundo pôde ver. Se sonhares e acreditares. Também tu tens esse poder”. Só não sei, se o cantor interpretou-a no seu último concerto!
Miguel Guarda