Ao longo do processo eleitoral interno no PSD, todos os outros candidatos têm vindo a defender a antecipação de eleições regionais logo a seguir às diretas que disputaremos a 19 de dezembro. Pessoalmente discordo. Porque defendo a estabilidade. E por mais algumas razões de que abaixo vos dou conta. Os tempos que atravessamos são muito difíceis. Para as pessoas. Para as famílias. Para as empresas. Desde a “troika”, e mesmo agora, as políticas que o Governo da República vem implementando atingem de forma dolorosa a generalidade dos portugueses. Por força disso a clivagem entre o governo do País e a sociedade civil é grande e está a atingir um ponto de saturação social. Isso afeta naturalmente o comportamento do eleitorado e a sua simpatia em relação à coligação. Designadamente ao PSD, já que integra o executivo que vem tomando essas medidas duras, severas e impopulares. Vejam o fenómeno das autárquicas, onde a situação política nacional influenciou de forma claramente negativa a eleição de nossos companheiros em sete câmaras da Região. Querer fazer eleições nesta altura pode ser do interesse privado de alguns, mas não é, com certeza, do PSD/Madeira. Defendo eleições no tempo certo. Em outubro de 2015. Daqui a dez meses. A bem da estabilidade, mas também da oportunidade que nos é oferecida pelas iniciativas “suavizantes”, que não deixarão de ser anunciadas, como é sempre habitual, pelos candidatos às legislativas nacionais, assinaladas para a mesma altura. E é nessa ocasião que quero disputar eleições e vencê-las. De forma categórica e inequívoca. Prepararei o Partido para esse desafio, unindo os militantes, consolidando o projeto, formando as equipas e injetando determinação e esperança em todos para alcançarmos a vitória eleitoral que ambicionamos. Sendo a unidade do Partido fundamental para alcançarmos os nossos objetivos, precisaremos de tempo. Para sarar feridas. Para juntar e motivar as hostes. Tempo esse que as eleições imediatamente a seguir às internas não asseguram. Por outro lado, com a marcação de eleições, o governo torna-se de gestão. Com um executivo tão limitado na sua ação, a Madeira como que pára. Tudo ficará adiado com prejuízo para a celeridade que se impõe e os tempos exigem. Por último, mas não menos importante do ponto de vista político, está o agora declarado apoio dos partidos da oposição à realização antecipada de eleições. Ora o PSD não lhes deve fazer a vontade. Porque se trata de erro estratégico. Ou será sensato pensar que o que é bom para a oposição também é bom para o PSD em relação à disputa de eleições? Num Benfica-Sporting o que é bom para um é bom para outro? Só se jogarem para o empate! Comigo prevalecerá o bom senso, imperando a vontade dos nossos militantes na defesa do que é melhor para garantir estabilidade, para assegurar a confiança e proporcionar fundados motivos de esperança aos sociais-democratas, em particular, e a todos os madeirenses em geral. PS1: Não se pense, inadvertidamente, que se trata de opinião para manter-me no lugar mais uns três meses. Nada disso. Esta é a posição que defendo se vencer as eleições. Nesse caso não estaria em causa o meu lugar. Se perder, acontecerá, como defendem os outros candidatos e a oposição, a antecipação de eleições e aí, naturalmente, já não estarei no governo. PS2: Ouvi o CDS falar de falta de legitimidade popular dos candidatos para, eventualmente, prosseguirem o seu mandato até outubro de 2015. Comigo não é o caso. Esclareço os menos avisados que fui candidato em 2011 e tenho legitimidade popular, porque fui eleito. Sobre isso não restam dúvidas. A não ser que o CDS estivesse a pensar noutros candidatos.
João Cunha e Silva Candidato a líder do PSD/M