Violante Saramago Matos Mais 600 mil euros para enterrar na Marina do Lugar de Baixo, ao abrigo do “Programa de Reconstrução da Madeira-Intempérie de 2010”! A que propósito? Porque é que se continua a desviar dinheiro das reais necessidades – e são ainda tantas – resultantes desse dia trágico, para o enterrar naquele fantasma? Sobretudo porque é mentira que o, já então, esqueleto da marina tenha sofrido com o aluvião de 2010. Não chegou lá, não atingiu a zona, não deitou a baixo paredão nenhum. O que verdadeiramente transformou aquela marina num fantasma de ferro e betão aconteceu muito antes: foram os erros que estiveram na base da sua construção – que, ainda hoje, não foram reparados nem corrigidos e que ficaram à vista logo em 2005, no inverno a seguir à inauguração. Que interesses continuam a alimentar as sucessivas injecções de dinheiro (já se ultrapassaram os 100 milhões de euros)? Aquele espaço já passou por quase tudo – depois de ser inaugurada como marina em 2004, teve danos na estrutura em 2005 e foi interditada em 2006 porque o talude apresentava forte por perigo. ‘Reaberta’ em 2009, com promessas de que ‘agora é que é’. Continua fechada, em marcha acelerada para a destruição. Entretanto já foi ‘marina’, futuro hotel e eventual componente imobiliária, promessa de centro de recreio para a população, hipótese de concessão a privados para zoomarine. Falta o circo mas, para já, pescam-se tainhas e salemas. O certo é que o governo (desta vez com a chancela da vice-presidência) não desiste de nos insultar de vez em quando com transferências de mais dinheiro; sempre com a promessa de que ‘agora é que é’. Desta vez é para ‘finalizar’ os paredões – no estado em que tudo aquilo se encontra, só se for para finalizar o derrube do resto dos paredões que ainda se equilibram de pé. Para minimizar custos e dificuldades, para criar condições e apoios sociais, há sempre inúmeros e ‘inultrapassáveis impedimentos’ – porque estamos sujeitos ao Plano de Ajustamento! Mas basta querer, e aparece sempre uma grande imaginação em ‘dar a volta ao texto’: desta vez, aplicando o “Programa de Reconstrução da Madeira-Intempérie de 2010” a uma situação em que ele não tem qualquer aplicação. Se mal pergunte, o que move a vice-presidência? Campanha eleitoral interna? É francamente demais! E mesmo que um qualquer relatório de avaliação de contas venha a registar uma desconformidade e o aproveitamento vergonhoso da Lei de Meios, será só daqui a uns anos… Só podem continuar a gozar connosco!