Helder Melim Caro arquiteto, para início de conversa, tenho de fazer uma declaração de interesses, pois sou um admirador da sua abra, adoro a Casa das Mudas, gosto dos Krípton e, grosso modo, de tudo o que conheço de todo o seu trabalho a nível arquitetónico. Fascinam-me a arquitetura e o design, porque são pluridisciplinares, porque recolhem de forma simbiótica os diferentes contributos provenientes das várias ciências e tecnologias em função da resolução de uma ideia, duma necessidade ou duma solução dum problema com condicionalismos e especificações particulares. O projeto é tanto mais conseguido, quanto melhor responde à solução do problema, à satisfação da necessidade ou à concretização da ideia inicial. No meu entender e imaginário, as iluminações de Natal deverão corresponder às expectativas e ao sentimento da “festa”, estado de espírito que se apossa dos madeirenses por alturas do Natal e Ano Novo, e corresponde a um período intenso, em que tudo é excessivo. É a saturação de todos os sentidos. A iluminação do nosso Natal deveria responder a esse estado de espírito indissociável da nossa cultura, deveria ser pictórica, naïve, exuberante, otimista, deveria encher o olho e a alma a cada um de nós, de que bem necessitamos na atual conjuntura. Não somos Nova Iorque nem Paris, somos a Madeira, a nossa génese é romântica, não é de todo minimalista, despojada, “clean” ou “amodernada”. Considero a iluminação deste ano tão desenquadrada, como a Praça do Povo do Alberto João, porque tanto uma como outra não encaixam na cidade. Quem chega à Madeira por mar, o que vê é uma barreira contínua de tetrápodes cinzentos desde a antiga lota até ao cais. O despojamento, a monocromia e monotonia da iluminação, são absolutamente gritantes. O design não pode desrespeitar as mais elementares regras de luminotecnia, no que concerne à intensidade e temperatura de luz utilizadas em função do fim específico. A este nível, a opção algo soturna tomada, é mais propícia a um ambiente de recolhimento, de introspeção do que à nossa FESTA. Desta vez, caro arquiteto, acertou ao lado. Por favor, não “venda barato”. De si, como já nos habituou, é expetável, mais e melhor. Lamento estas iluminações por duas razões: Porque estava à espera de outra coisa, que me enchesse a alma, e porque os mesmos do costume, com a habitual doméstica, parola e deslumbrada visão, deram o seu agrément a este projeto.