O mote para este exercício mensal de gestão apertada de caracteres foi uma newsletter, uma das muitas que encharcam diariamente a minha caixa de correio.

Vendia-se uma máquina de café, com elevada percentagem de desconto, de uma conhecida e reconhecida marca. Tinha muito bom aspecto, design atraente e o preço era efectivamente apelativo.

Qual o problema, então? Era um Banco que a estava a vender! Serei só eu a considerar isto no mínimo estranho, para não dizer errado?

Mais, a mencionada newsletter ficava-se por isto, não fazia nenhuma referência a qualquer outro benefício, produto ou serviço bancário!

Pelo andar da carruagem, desta carruagem, não tarda nada e temos supermercados a vender, sei lá, por exemplo medicamentos! Mas, esperem, isso já acontece, não já? E móveis, brinquedos, livros, roupa, viagens também, não é? Com jeito, podiam vender prateleiras vazias como camas de hotel…

Em síntese, portanto, pedindo que me esclareçam, para ver se estou a ver bem:

- Se eu for dono de um hipermercado ou de um banco posso vender tudo, mesmo aquilo que não faça parte do objecto social da minha empresa? Mas se a minha empresa for um hotel ou uma livraria aí já não dá, tenho de cingir-me ao dito objecto?

Tenho perfeita noção de que, por obra e graça de um qualquer gabinete jurídico da nossa praça, todas estas práticas são absolutamente legais, mesmo a da newsletter!

Esta “lógica” o que conseguiu foi acabar com muito do comércio que existia anteriormente, sobretudo o de rua, com o argumento do benefício para o cliente, que num só espaço e a preços imbatíveis pode adquirir tudo no mesmo local.

Faça-se notar, para terminar, que os preços são imbatíveis porque a estes senhores se lhes dá o poder de controlar tudo; o resto do mundo não é necessariamente composto por um bando de incompetentes…

André Barreto