O passado não me traz nostalgia nem desespero, ao contrário do que acontece, estou certo, a Alberto João Jardim e quejandos Nestes últimos dias têm vindo á minha cabeça os dias dramáticos que passei, no Funchal, no último trimestre de 2007. Assim foi, porque a mentira tomou o lugar da verdade, assim como a hipocrisia tomou o lugar da lealdade. Neste contexto, só me lembro de uma frase do Arcebispo Desmond Tuto que nos dizia: “Se quiseres encontrar os pontos fracos de uma democracia, procura entre os que sofrem. Provavelmente encontrarás diversas violações da dignidade. Se desejas a paz certifica-te de que respeitas e manténs intacta a dignidade de todos.” Foi exactamente isto que faltou e continua a faltar nas relações politicas e pessoais de Alberto João Jardim e do seu governo com os madeirenses e os portugueses em geral. Compreendi nessa altura que o desejo de dignidade era universal e poderoso e que quando é violado a resposta será provavelmente agressiva, mesmo violenta, o ódio e a vergonha, no geral, seguir-se-ão. De facto o desejo de dignidade é universal e poderoso e o conceito de dignidade é um direito inalienável que Deus deu a toda a humanidade. No momento em que Portugal foi eleito para a Comissão de Direitos Humanos da ONU não podemos esquecer de que todos os seres humanos são iguais em termos de dignidade, princípio contido no primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos do Homem. É quase sempre a perda de dignidade que leva os agressores a cometerem os actos terríveis que cometem. É também a dignidade recuperada que lhes permite enfrentar as suas vítimas. E é a dignidade – a percepção do valor intrínseco do outro – que torna possível a reconciliação. Não posso deixar de pensar nesses momentos sombrios que vivi na Madeira. No entanto, acreditei sempre, que o bem deve levar a melhor e o mal deve ser vencido. Vem isto a propósito da divulgação, há dias, pelo INE, das taxas de pobreza em Portugal e especificamente na Madeira. Números de 2012. De facto são números preocupantes. Cerca de um quarto da população portuguesa é pobre e destes, 34% são crianças e jovens que vivem na pobreza em Portugal. Na Madeira a taxa de pobreza aproxima-se dos 31% (quando em 2007 eu cometi o erro, por defeito, de afirmar que se situava entre os 20 e os 22% quando era, segundo o GEP, Ministério da Segurança Social, de 24,5%). Recordo que esta taxa de 31% corresponde, mais ou menos, ao valor do ano 2000. O que é dramático. Hoje, compreende-se melhor porque há cerca de dois meses Alberto João Jardim dizia, perante as camaras de televisão, que a difícil situação social na Madeira se devia à incompreensão do Governo da Republica. Isto, ao contrário do que possa parecer, deixa-me profundamente triste. Neste caso, o importante não é ter razão. Já a tive e paguei um preço muito alto por ter dito a verdade. Hoje o que aspiro é a dignidade do povo madeirense que vejo sacrificada. Foi o sentido da dignidade que nos conduziu à democracia. A dignidade sustenta e também dá energia e capacidade. Realiza grandes feitos. Ergue os caídos e resgata os desesperados. Quando o reconhecimento daquilo de bom que existe no outro é partilhado, o sentido da dignidade pessoal atribuído pode trazer a justiça e a paz. O passado não me traz nostalgia nem desespero, ao contrário do que acontece, estou certo, a Alberto João Jardim e quejandos. A pobreza é possivelmente a nossa maior vergonha. Enquanto subsistirem estas desigualdades entre ricos e pobres não podemos pretender estar a fazer progressos adequados para concretizar as ambições estabelecidas, com o povo, há 40 anos. A pobreza exige a nossa atenção não só pela dimensão do sofrimento que envolve, mas também porque são os pobres quem mais sofrerá se falharmos a solução a outros desafios globais. Quem vos diz é o mesmo que como Presidente da Segurança Social da Madeira foi proibido de abordar, em público, a pobreza como fenómeno antissocial. Sempre afirmei, há muito, como é importante assegurar legalmente os direitos para fugir ao medo, à perseguição e aos esquemas e armadilhas estabelecidas – incluindo aqui, entre outros, a armadilha da Lei, que muitas vezes não liberta, mas oprime e de quem os marginalizados normalmente desconfiam (às vezes, por ignorância). Sempre segui de perto, todos os dias, a recomendação de Johann Goethe: “Trata as pessoas como elas gostariam de ser tratadas e estarás a ajudá-las a tornarem-se aquilo que são capazes de ser.” Deus deu a cada um de nós valor intrínseco e importância inatos. Aceitai-os em vós mesmos, descobri-os e encorajai-os nos outros e a justiça talvez seja possível. Roque Martins
O passado não me traz nostalgia nem desespero, ao contrário do que acontece, estou certo, a Alberto João Jardim e quejandos
Nestes últimos dias têm vindo á minha cabeça os dias dramáticos que passei, no Funchal, no último trimestre de 2007. Assim foi, porque a mentira tomou o lugar da verdade, assim como a hipocrisia tomou o lugar da lealdade. Neste contexto, só me lembro de uma frase do Arcebispo Desmond Tuto que nos dizia: “Se quiseres encontrar os pontos fracos de uma democracia, procura entre os que sofrem. Provavelmente encontrarás diversas violações da dignidade. Se desejas a paz certifica-te de que respeitas e manténs intacta a dignidade de todos.”
Foi exactamente isto que faltou e continua a faltar nas relações politicas e pessoais de Alberto João Jardim e do seu governo com os madeirenses e os portugueses em geral.
Compreendi nessa altura que o desejo de dignidade era universal e poderoso e que quando é violado a resposta será provavelmente agressiva, mesmo violenta, o ódio e a vergonha, no geral, seguir-se-ão.
De facto o desejo de dignidade é universal e poderoso e o conceito de dignidade é um direito inalienável que Deus deu a toda a humanidade.
No momento em que Portugal foi eleito para a Comissão de Direitos Humanos da ONU não podemos esquecer de que todos os seres humanos são iguais em termos de dignidade, princípio contido no primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
É quase sempre a perda de dignidade que leva os agressores a cometerem os actos terríveis que cometem. É também a dignidade recuperada que lhes permite enfrentar as suas vítimas. E é a dignidade – a percepção do valor intrínseco do outro – que torna possível a reconciliação.
Não posso deixar de pensar nesses momentos sombrios que vivi na Madeira. No entanto, acreditei sempre, que o bem deve levar a melhor e o mal deve ser vencido.
Vem isto a propósito da divulgação, há dias, pelo INE, das taxas de pobreza em Portugal e especificamente na Madeira. Números de 2012.
De facto são números preocupantes. Cerca de um quarto da população portuguesa é pobre e destes, 34% são crianças e jovens que vivem na pobreza em Portugal.
Na Madeira a taxa de pobreza aproxima-se dos 31% (quando em 2007 eu cometi o erro, por defeito, de afirmar que se situava entre os 20 e os 22% quando era, segundo o GEP, Ministério da Segurança Social, de 24,5%). Recordo que esta taxa de 31% corresponde, mais ou menos, ao valor do ano 2000. O que é dramático.
Hoje, compreende-se melhor porque há cerca de dois meses Alberto João Jardim dizia, perante as camaras de televisão, que a difícil situação social na Madeira se devia à incompreensão do Governo da Republica.
Isto, ao contrário do que possa parecer, deixa-me profundamente triste. Neste caso, o importante não é ter razão. Já a tive e paguei um preço muito alto por ter dito a verdade. Hoje o que aspiro é a dignidade do povo madeirense que vejo sacrificada. Foi o sentido da dignidade que nos conduziu à democracia. A dignidade sustenta e também dá energia e capacidade. Realiza grandes feitos. Ergue os caídos e resgata os desesperados. Quando o reconhecimento daquilo de bom que existe no outro é partilhado, o sentido da dignidade pessoal atribuído pode trazer a justiça e a paz.
O passado não me traz nostalgia nem desespero, ao contrário do que acontece, estou certo, a Alberto João Jardim e quejandos.
A pobreza é possivelmente a nossa maior vergonha. Enquanto subsistirem estas desigualdades entre ricos e pobres não podemos pretender estar a fazer progressos adequados para concretizar as ambições estabelecidas, com o povo, há 40 anos. A pobreza exige a nossa atenção não só pela dimensão do sofrimento que envolve, mas também porque são os pobres quem mais sofrerá se falharmos a solução a outros desafios globais.
Quem vos diz é o mesmo que como Presidente da Segurança Social da Madeira foi proibido de abordar, em público, a pobreza como fenómeno antissocial.
Sempre afirmei, há muito, como é importante assegurar legalmente os direitos para fugir ao medo, à perseguição e aos esquemas e armadilhas estabelecidas – incluindo aqui, entre outros, a armadilha da Lei, que muitas vezes não liberta, mas oprime e de quem os marginalizados normalmente desconfiam (às vezes, por ignorância).
Sempre segui de perto, todos os dias, a recomendação de Johann Goethe: “Trata as pessoas como elas gostariam de ser tratadas e estarás a ajudá-las a tornarem-se aquilo que são capazes de ser.”
Deus deu a cada um de nós valor intrínseco e importância inatos. Aceitai-os em vós mesmos, descobri-os e encorajai-os nos outros e a justiça talvez seja possível.
Roque Martins