Amaro Santos A sede da antiga JAC (Juventude Agrária Católica) em Machico, na Rua do Ribeirinho, foi desde os anos 1950’s, um edifício emblemático em actividades culturais e religiosas. O livro “A Banda na História e na Cultura do Concelho de Machico” dedica 4 páginas sobre as suas actividades. Lá podemos ler um testemunho do Sr. João Ornelas, já falecido, que diz: Nas suas actividades culturais e formativas destacam-se as récitas. “Eram espectáculos que tinham como objectivo uma formação global, isto é, cultural e espiritual. Geralmente abriam com uma música ambiente, ouvida através de um gramofone e eram constituídas por uma peça teatral dramática cujo tema fosse uma lição de vida, por exemplo – O Filho Pródigo – e uma outra mais real de preferência cómica, mas que tivesse algum ensinamento, por exemplo – A Educação Inglesa. Entre estes temas principais e nas mudanças de cenários havia declamações de poesia, anedotas, pequenas histórias, cânticos de animação…” Com o tempo a JAC perde algum fulgor até ser ocupada com 25 de Abril de 1974. Teve várias utilidades e hoje encontra-se degradada, abandonada, ou melhor, está à venda, ali mesmo, no coração da cidade. A casa foi construída e mais tarde doada à Diocese pelo machiquense Cónego Manuel Mendes Teixeira. Outras casas foram doadas à diocese. Mas aquela casa, que já foi sede da JAC, tem alma, tem cultura, tem história tem lembranças que guardamos no coração. Sabemos que a autarquia não dispõe de verbas para comprá-la. Podia ser oferecida à cidade e recuperada para um espaço cultural. Há cada vez mais jovens na cultura. Eles são a fatia mais saudável da sociedade… e precisam de espaço. Seria a mais bela homenagem que a Diocese podia fazer ao seu primeiro proprietário.