Gosto de futebol e quem me conhece sabe que quando se trata do meu FCP a coisa ultrapassa o racional, considero um privilégio ver jogar Ronaldo –dos melhores jogadores de sempre, a par de Pelé, Eusébio, Maradona, Zidane ou Messi – e até moro na rua em que instalaram a galeria de troféus desse rapaz da freguesia onde cresci e que atingiu o máximo na sua profissão. Um orgulho para todos e alguém que deve ser aproveitado como forma de divulgação de uma terra que tem como única indústria significativa o turismo. Até tenho particular apreço pelo trabalho de Ricardo Veloza, muitas vezes injustiçado por pseudo-críticos de arte.

Nada disso me impede de considerar uma asneira a estátua que pretendem erguer a Cristiano Ronaldo. Algo que roça o ridículo. Estátuas de pessoas vivas fazem lembrar a Coreia do Norte, a URSS de Estaline ou outras barbaridades.

Tão ridículo como as ‘biografias’ de um rapaz de menos de 30 anos que ainda está a começar a viver e que é explorado na sua vida privada, de uma forma revoltante.

Cristiano Ronaldo vale pela magia que tem nos pés, pelo que faz dentro do campo, pelo profissionalismo que demonstra e deveria evitar estes aproveitamentos ridículos, pagos com os nossos impostos. Os mesmos que alimentam o jornal que promove este circo. Até a data escolhida é para rir, ou pensar.

O futebol é um jogo, um espectáculo, mas não passa disso. Um futebolista não é um herói, é um rapaz que joga à bola. Mesmo que seja o melhor do mundo. Esta estátua não é iniciativa inédita, mas não deixa de ser infeliz. Sobretudo porque vai servir para tapar a incompetência de outros que dão pontapés na governação.