Espinho uma pequena cidade no norte de Portugal, com cerca de 31 700 habitantes (censos de 2011), conseguiu o pleno no âmbito do panorama musical do país. Um grupo de empreendedores locais construiu e consolidou, 4 realidades deveras importantes para a localidade: a Academia de Música (Escola Profissional), o Festival Internacional de Música, a Orquestra Clássica e o Auditório de Espinho. Um pequeno município, com 21 km2, encetou desde 1961, primeiro com a Academia, um processo de desenvolvimento que é referência nacional. O Professor Mário Neves foi o seu fundador, com o apoio do então Presidente da Câmara Engenheiro Manuel Baptista. Este elo de ligação e suporte mútuo tem-se mantido até hoje no delinear de todas as iniciativas que envolvem a música e a cultura em particular. O Festival de Música surge em 1964, como um dos primeiros «festivais de Verão», promovendo a cidade em Portugal e na Europa. No final da década de 80, é lançada mais uma pedra nesta arquitetura, a Escola Profissional de Música de Espinho, que abre novos horizontes. Fundada em Outubro de 1989, no âmbito do programa de criação de Escolas Profissionais, então lançado pelos Ministérios da Educação, Emprego e Segurança Social, teve como entidade promotora a Academia que a acolheu no seu seio escolar. Desde 1988, é também desenvolvido no concelho, o programa “Expressão e Educação Musical nas Escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico’’ uma parceria entre a Academia de Música e a Câmara Municipal. É nesta evolução que se vai alicerçar a Orquestra Clássica de Espinho (com esta designação a partir de 2005), depois de um longo trabalho de formação na Escola Profissional. Do seu percurso artístico salientam-se as digressões à Escócia, Alemanha, Espanha e Brasil. O Auditório foi inaugurado em 2006 e serve enquanto sala de concertos e espetáculos (teatro, dança, novo circo), sendo também a sede artística da própria Orquestra e a base do Festival Internacional de Música de Espinho que vai na sua 33ª edição. Resumindo: no desenvolvimento das suas atividades e pelo êxito das mesmas, a Academia de Música de Espinho recebe apoios anuais da Secretaria de Estado da Cultura, do Ministério da Educação e da Câmara Municipal de Espinho. Um verdadeiro exemplo! De 1961 até ao presente, foram muitas as cores políticas que passaram pela cidade. Em relação à música e cultura, pelos vistos, toda a gente se entendeu. Uma questão impõe-se. Perante esta dinâmica de realização, o que fariam os empreendedores musicais desta cidade portuguesa, se o seu universo de atuação fosse uma terra com 267.785 habitantes (censos de 2011) numa área total de 741 km2, com Estatuto Político Administrativo próprio (Autonomia) e a receber há dezenas de anos fundos comunitários de apoio ao seu desenvolvimento? Até prova em contrário, Espinho é a Terra da Música, das estruturas que se interligam e do futuro que se constrói por vontade, ação e liderança partilhada de todos os que foram alimentando a primeira fundação, a Academia de Música de Espinho.

Vitor Sardinha Músico