Que o Governo Regional não tinha intenção de prejudicar ninguém é o grande argumento do Ministério Público (MP) para absolver o executivo liderado por Alberto João Jardim de ter escondido mais de mil milhões de euros de dívidas. Mesmo dando por provado que houve falsificação de documentos.

Já o caso do copo de cerveja atirado ao presidente do Governo Regional, apesar de não ter tido consequência maior (atenção que não estou a defender que se atirem bebidas ou outras substâncias a governantes), é um crime público. De nada valeu Jardim ter retirado a queixa (revelando um já raro momento de bom senso), uma vez que o MP insiste em levar o homem a julgamento.

Quantos pesos, quantas medidas?

O Governo da República, o INE, o Banco de Portugal dizem que foi grave, que Portugal ainda não recuperou externamente dessa golpada de se retirar 1100 milhões de euros de dívida debaixo do tapete insular. Não é caso único, é certo, foi dos mais mediáticos, porém. E o MP investiga três anos para dizer que não houve intenção de prejudicar ninguém. Ora então e os madeirenses que estão a pagar com sangue, suor e lágrimas o resgate de 1500 milhões (sim, é fazer as contas). Os desempregados, os que se viram obrigados a deixar família para arranjar sustento noutras paragens, os jovens, os velhos, os funcionários públicos. Ainda se lembram do IVA mais baixo, do subsídio de insularidade? Daquelas pequenas compensações pelos elevados custos de se viver numa região ultra-periférica? Tudo a dívida levou.

Valeu a pena? O MP parece dizer que sim, com esta absolvição a más práticas governativas, à imoralidade. Sim é criminoso, mas ninguém se magoou, assevera a Justiça. Ai não? É ver os números duros da realidade. Mas quem for a ver, a culpa é do tipo da cerveja.

Sandra Cardoso