Cinco candidatos. E mais um a insinuar que talvez sim, um faz-de-conta a dizer Não se esqueçam que existo e (acho) que ainda mando no aparelho, Olhem que faço falta. É claro que toda esta gente tem uma origem comum. E não, caro leitor, essa origem não é o PSD-M. Chegaram todos de Marte. Nenhum teve alguma coisa a ver com o passado recente dos últimos quase 40 anos. Mais, nenhum deles alguma vez imaginou o que aqui se vivia. Não! São todos extraterrestres, novatos nestas paragens. O que eles não sabiam, e pelas novidades que ‘trazem’ se calhar ainda não sabem, é que por cá já pairam há muitos anos os seus clones, que sempre foram coniventes, cúmplices, ou mesmo parte activa, na arrogância e no insulto, na violência e na intimidação, no compadrio e na coacção; nunca nenhum contestou, uma vez que fosse, as opções e o comportamento do poder regional – o tal que estes bem-intencionados extraterrestres dizem, agora, querer substituir. Candidatos e apoiantes parecem cogumelos no campo depois das primeiras chuvas – saltam por todo o lado. Contas feitas diria, como o ditado popular, que são mais que as mães. Mas em terreno tão conspurcado, é difícil obter um só cogumelo comestível, sem perigo de intoxicação. A violência de alguns ataques deixar-me-ia curiosa para ver como se iriam entender no final se, em boa verdade, não fossem só encenação, num contar de espingardas, num marcar de posições, com vista a entendimentos futuros. Promessas, programas, soluções, intenções, tudo vale para chegar a Dezembro a tentar sobreviver nesse ninho de escorpiões e lacraus em que, como se previa, se tornou o PSD-M. Para mim, que observo de fora das lides e dos meandros da vida político/partidária activa, tudo isto seria patético e cómico se não fosse sério e preocupante. Se a esta gente o que verdadeiramente importa é não perder o poder, exige-se que outros tenham um comportamento diferente, com estratégias, projectos e soluções que possam fechar definitivamente este ciclo que tem vindo a castigar tanto a Madeira. Há problemas gravíssimos em praticamente todas as áreas de carácter social; a educação e a saúde estão nas ruas da amargura; a agricultura e a floresta são coutadas e ‘adros de igreja’; de ambiente e ordenamento do território nem se fala; nas ruas, sucedem-se lojas e empresas fechadas; o turismo é um desnorte; e a tudo isto ainda se virá a acrescentar a crescente, e já visível, degradação de tantas obras marítima (feitas a-torto-e-a-direito, sobredimensionadas e quantas vezes desnecessárias) porque falta dinheiro para a conservação. Atingiu-se um nível tal que é urgente que haja gente capaz de ir mais acima dos limitados patamares partidários, aglutinando e mobilizando esforços e saberes, conhecimentos e competências, vontades e recursos; construindo plataformas de entendimento e cooperação, com novas políticas económicas, que permitam começar a construir uma Região moderna, equilibrada, geradora de riqueza e bem-estar. Mas para isso é preciso que haja, entre os restantes agentes políticos, gente com ética, visão, estatura, estratégia. Porque se também eles não têm soluções para ultrapassar esta imensidão de problemas, Como é que podem propor-nos alguma coisa diferente? Como é que podemos fazer alguma coisa diferente? E francamente, sabemos pouco, sabemos mesmo muito pouco. Desconheço o que se vai passar até às próximas eleições regionais. Mas há uma coisa de que tenho a certeza: tão cedo, não se voltarão a reunir as condições objectivas e subjectivas para mudar de rumo. Se os partidos e responsáveis políticos e sociais não conseguirem, não souberem, ou não quiserem, aproveitar agora esta oportunidade única, podem limpar as mãos à parede pelo belo contributo que prestaram à continuidade do PSD no poder. E assumir, em paralelo, a responsabilidade pelas consequências. Sérgio Godinho dizia, na sua canção ‘Maré Alta’, ‘aprende a nadar companheiro, que a liberdade está a passar por aqui’. 2015 só passa uma vez pela Madeira. Oxalá quem deve, já tenha aprendido a nadar.

Violante Saramago Matos