Uma frase que li recentemente num cartoon da Mafalda fez-me reflectir bastante em relação ao que foram estes últimos tempos da minha vida profissional, sobretudo este último ano. Dizia o cartoon, numa conclusão em forma de constatação, que era uma pena perdermos tanto tempo a tratar do urgente esquecendo o que é importante. Ora nem mais! Se me pedissem para resumir estes últimos meses, diria que andei a fazer exactamente isto e nada mais do que isto! Que tristeza… Sinal dos tempos? Também, com certeza, embora consiga encontrar outras explicações bem menos abonatórias para este facto, relacionadas com a minha capacidade (ou falta dela) de planear atempadamente e gerir convenientemente os recursos de que disponho, apesar destes serem quase tão escassos quanto os caracteres que me disponibilizam. Para quem sofre com a necessidade de cumprir com as suas obrigações e tem necessidade que terceiros o façam em relação a si para poder honrar esses compromissos levará talvez vida idêntica. Hoje é normal ficarmos a dever para além do razoável e a tentação de nos justificarmos olhando para o lado e argumentando que a dificuldade é a mesma é fácil. Mas não resolve nada. Passamos a vida a fazer o papel de cobradores e a justificar-nos como devedores, numa ginástica complicada e desgastante mas sem contudo nos capacitarmos que o problema talvez seja mais amplo, a exigir outra lógica, mais estratégica e de longo prazo. Que não temos tempo de implementar porque o próximo problema está a chegar… Com excepção do nosso relacionamento com o Estado, que nunca nada deve, não cumpre com nenhum prazo e altera normas de relacionamento com o contribuinte à medida do número de futuras rotundas que pretende construir mas que é absolutamente intransigente enquanto credor, em tudo o resto vemo-nos obrigados a falhar, contribuindo para uma bola de neve que só poderá ter consequências negativas. Por isso temos de conseguir, não parando, de pensar para além do amanhã. Esquecer que podemos contar com ajuda, mesmo daquele que mais nos sufoca e porventura maior obrigação tinha de nos apoiar (que é diferente de subsidiar!) mas procurando soluções com quem connosco se relaciona. A verdade é que todos dependemos de todos e isso é que é importante.

André Barreto Gestor