A história religiosa e social de Machico ficou profundamente marcada pela-aluvião de 9 de Outubro de 1803- que destruiu a capela, arrastou a Imagem para o mar, ceifou vidas e haveres na sua população. “ O seu Crucifixo perdido nas águasdo mar, foi logo encontrado por uma galera americana que cruzava os mares da Madeira. O vento, segundo se relata, impediu que aquela embarcação seguisse o seu destino. Então, os marinheiros americanos voltaram atrás e foram levar o Crucifixo para a Sé do Funchal onde foi venerado. Mais tarde, em 1813, após a reconstituição da capela destruída, fez-se a transladação desta imagem, para Machico, em forma de procissão onde ainda hoje se encontra.” Com este facto, considerado milagroso, ficou a chamar-se capela do Senhor dos Milagres, nome que ainda se mantém. A Festa do Senhor dos Milagres sempre se caraterizou pela sobriedade de motivos ornamentais, não há fogo, nem efeitos luminosos, nem bandas filarmónicas. Circunscreve-se a uma profunda e emocionante evocação histórica assinalada pela enorme procissão que, ao cair da noite de hoje, percorrerá as principais ruas da cidade de Machico- um testemunho vivo de devoção- através de milhares de peregrinos provenientes, das várias freguesias da Região, que aqui vêm no cumprimento de promessas. Pode considerar-se, a Festa dos Milagres, como uma manifestação religiosa ímpar em toda a Madeira sobretudo pelo seu sentido de fé, de devoção e de cultura histórica que as sucessivas gerações souberam dignificá-la. A maciça participação dos pescadores com os archotes demonstram respeito, o fervor que emprestam e tornam esta procissão invulgar, única, assinalada pelo recolhimento, gratidão e de participação. Ao longo do ano a sua capela, a sua Imagem, é um local visitado por muitos turistas e a numerosa população que visita Machico, constitui um memorável padrão na vida e na história de Machico e da Região.

Belarmino Rodrigues Professor