O dia 21 de Setembro está calendarizado como o dia mundial da paz. É claro que a Paz deve ser, por todos nós, construída todos os dias, nas nossas casas, nas nossas famílias, nas nossas sociedades… E não deveria necessitar de um dia específico para ser celebrada. No entanto, será interessante meditarmos sobre o que será verdadeiramente a Paz, e que Paz queremos. Aproveitemos pois o calendário.
O conceito de Paz parece-me trazer inscrito em si uma vocação intrínseca o mais universal possível; não parece poder, nem dever, deixar nada, nem ninguém, de fora. Por isso, não considero que a Paz possa ser reduzida a um mero estado de não-animosidade, entre classes, ou nações… Nem sequer pode ser reduzida a algo apenas encerrada dentro da esfera do humano. Embora uma noção absolutamente universalista de Paz englobe, sem dúvida, as nossas casas, famílias, classes, nações, paradigmas culturais, ela exige que se englobem também no seu amplo abraço todos os seres e aconteceres não-humanos.
Precisamos, pois, de uma Paz profunda, ampla e completa; que vá das profundezas azuis dos oceanos às alturas transparentes e luminosas dos céus, que toque e console a Vida, as vidas concretas das multidões de todos os seres sensíveis que todos os dias vivem e sobrevivem neste, ainda fértil e generoso, planeta. Precisamos de uma Paz biocêntrica, que inaugure um novo paradigma ético e societário, abolindo fronteiras especistas, e que transforme este planeta num local onde a Vida de todos os seres seja respeitada e defendida como o mais precioso e extraordinário fenómeno evolutivo deste Universo.
Miguel Santos