Ricardo Vieira Acusam o CDS/PP de não ter feito parte da coligação que concorre ao Funchal por inviabilizar a conquista da Câmara, a fiar-se nos resultados das sondagens publicitadas. Alguns ainda atiram as mesmas pedras à CDU que ficou de fora por vontade própria. A acusação é tentadora mas totalmente irrealista.
Querer fazer uma coligação, nascida antes da haver projecto e candidatos, onde se juntam o Sr. Coelho com o Sr. Roberto Almada e Sr. João Isidoro, lado a lado com o Dr. Gil Canha e a Drª. Jardim Fernandes, é de facto um contra-senso. O que fará uma coligação destas quando aparecer um projecto turístico do grupo Blandy ou Pestana na área do Funchal? Que pensará sobre projectos para criação de postos de trabalho e a isenção de taxas de licenciamento a quem invista? O que opinará sobre privatização de serviços municipais? Que opinião terá sobre a caso do fim da concessão dos estacionamentos, ainda em Tribunal?
E o que pensar dessa eventual coligação onde se deitam na mesma cama inimigos viscerais, partidos que só existiram para derrubar lideranças do Partido Socialista da Madeira e que fazem mais oposição às outras oposições do que ao próprio partido do poder? Como julgar alianças de partidos que escondem a faca atrás das costas pronta para o dobrar da esquina?
O aliciamento de derrubar o que resta do partido maioritário não é razão suficiente nem necessária para deitar fora memórias e valores! Não é suficiente porque o mais importante é ter um projecto coerente e com unidade interna para o Funchal, bem como para os restantes concelhos da Madeira. Nem é necessário porque há outras formas de lá chegar e as coligações não são operações de somar de votos como se o eleitorado fosse apenas a fasquia distribuída e obtida noutros actos eleitorais. E a prova disso é que nas sondagens a coligação existente não conseguiu reunir os votos regionais dos partidos que a compõem.
Por último, atirar com a “burridade dos outros” por não fazer um novo albergue espanhol e com isso, aparentemente, se gorar o projecto “unitário”, é confessar a incapacidade para, por si sós, lá chegarem. Como diria o Dr. Anibal Faria, respondendo a uma caridosa senhora que lhe pedia uma consulta grátis para um necessitado: Se queres chegar ao céu tudo bem, mas às minhas costas é que não!