A professora Elsa teve ontem uma comovente despedida em que participaram centenas de pessoas. Uma última homenagem tardia, mas justa, como normalmente acontece nestes casos. Para além do sentimento de dor, de injustiça, de incompreensão, que certamente invadiu os seus amigos e conhecidos – custa a entender esta ‘morte anunciada’ de uma Pessoa tão nova, com tanta energia e tanto para nos ensinar ainda – é tempo de recuperar o empenho e a perseverança desta grande Mulher, que tudo fez para que tanta coisa simples tenha o valor que merece; para que as nossas vivências, e a de pessoas mais velhas que nós, não caiam no esquecimento. Em suma, para que saibamos respeitar a História das nossas Tradições. Tivemos tanto tempo para valorizar o seu trabalho, mas só agora é que despertamos para ele. Uma sina que se repete, não parece haver volta a dar... Pessoalmente, para além de todos esses méritos com que também recordarei a vizinha, a professora, a senhora do folclore, a presidente da Casa do Povo, prefiro guardar os fugazes diálogos dos últimos tempos, quando o braço-de-ferro com a doença já lhe condicionava o seu dia-adia. Apesar dessa terrível tortura física e mental, o que a professora Elsa valorizava era tudo o resto. Pouco dada a queixumes, nunca deixou de sorrir, de falar das suas ideias e dos seus sonhos. Com uma lucidez impressionante, as pausas nas últimas caminhadas, rua acima ou rua abaixo, eram sempre aproveitadas para recuperar o fôlego e falar de coisas que valem a pena. E de tudo o que vale a pena, muito ficou por fazer, porque quis o destino que a sua vida fosse interrompida desta forma tão abrupta. Compete-nos a nós, aos que ficam por aqui mais uns tempos, respeitar e prosseguir as pequenas lutas em que a professora Elsa se esmerou. Não apenas por ela, mas sobretudo por nós e pelos nossos filhos. Aproveitemos e reflictamos sobre o que é que verdadeiramente vale a pena.