Tenho observado, com alguma tristeza, o crescente alheamento das pessoas, umas em relação às outras. Cada vez mais, é o cada um por si, e os outros que se arranjem… Vejo isto nos irresponsáveis que correm/se pavoneiam pela Estrada Monumental, com headphones na cabeça, e que a qualquer momento saltam para a frente do trânsito. E que protestarão, certamente, no dia em que forem atropelados. Os outros? Quem? Vejo isto em todos aqueles que estacionam nas paragens e docas de autocarros, e nos próprios motoristas que, podendo dar espaço a colegas, deixam o seu carro na posição mais simples, mas mais incómoda. Os outros? Para quê? Vejo isto nas estradas e rotundas desta ilha. Ninguém faz sinais. Vejo isto nos túneis, ninguém liga faróis. Dificulta a vida de todos os outros, que têm que andar a adivinhar o que vão fazer. Os outros? Porquê? Que interessam? Vejo isto nos turistas dos “Aidas”, que saem de bicicleta do barco, que, pelas ruas da cidade, se comportam como vândalos, desrespeitando as mais elementares regras de trânsito, atropelando-se uns aos outros, e aos transeuntes, na ânsia de não se perderem do tripulante encarregue de lhes “mostrar” o Funchal. Temos todos de mudar de atitude. Insisto muito com as minhas crianças, no sentido que têm de tratar as outras pessoas como gostariam de ser tratadas. Temos de respeitar mais as pessoas até porque – numa perspetiva meramente egoísta – é dessa forma que mais seremos respeitados. Gostaria de ver isto nos políticos que nos têm governado, que nunca nos respeitaram, mas que querem – exigem – o nosso respeito, particularmente na hora da sua reeleição. Mas ainda tenho menos respeito pelos políticos desonestos que acusam todos os que se lhe opõem de serem o bicho papão, e de significarem o descalabro se eleitos. No descalabro já estamos… [email protected]

Roberto Loja