Aí está mais um início do ano lectivo. Com ele, muitas mudanças no quotidiano dos alunos e dos professores. Alteram-se as rotinas familiares, adoptam-se as exigências inerentes à vida escolar. Adaptação é a palavra de ordem. Os alunos precisam de se integrar a novas escolas, novos programas, novos colegas, professores e/ou horários. Exigências naturais, mas que criam angústias, ansiedades e muita expectativa. Para os professores, o mesmo acontece. Para muitos, novos alunos, novos horários, novas realidades e exigências. Para outros, mudança de escola, ausência de horário e até mesmo desemprego. Facto é que a classe dos professores tem vindo a sofrer, ao longo dos últimos anos, profundas reformulações ao nível da carreira. Nas turmas, o número de alunos continua a aumentar, os programas curriculares das disciplinas mudam constantemente, surgem disciplinas novas que, passado um ano ou dois, desaparecem, os horários são cada vez mais preenchidos, os concursos obrigam a mudanças de escolas, as progressões na carreira permanecem congeladas e as novas regras de subidas de escalão tornam-se cada vez mais insólitas. Se algumas mudanças não chocam, outras contribuem para desprestigiar a profissão e, consequentemente, colocar em causa a qualidade do ensino. No fundo sempre foi exigido aos profissionais do ensino, ano após ano, readaptações e ajustes constantes. No entanto, ultimamente essas alterações têm sido maiores. Perante taxas de natalidade que teimam em baixar e o previsível emagrecimento demográfico, disciplinas desvalorizadas, cortes na educação, encerramento de escolas, entre outros, o caminho da reconversão profissional especialmente para os docentes mais jovens ou futuros (profissionais), começa a ser uma realidade. Um passo que pode ser desafiante, embora sem a segurança a que nos habituámos nas últimas décadas. Uma coisa é clara, independentemente do sector, entrar ou permanecer na carreira de professor, sem imprevistos ou interrupções, torna-se cada vez mais difícil. Neste sentido, a melhor estratégia parece ser desenvolver a flexibilidade e capacidade de adaptação ao mercado e agarrar as suas oportunidades. Um bom e feliz ano lectivo, a toda a comunidade educativa!
Bernardo Vasconcelos Professor de Ed. Física