Estou a passar as minhas férias, nesta época estival, na minha terra natal, Croácia. É um daqueles países que na altura tornam-se num íman para centenas de milhares de turistas de toda a Europa, e não só. Durante a época alta, praticamente cada aldeia, nestes países da zona mediterrânea, está à procura de algo específico do seu passado, da sua tradição e dos seus costumes – e nem sempre com uma selecção criteriosa – para os poder ostentar e assim tentar atrair a atenção no meio daquela que é uma verdadeira migração sazonal.

Na maioria dos países mediterrâneos, esta época dura apenas uns três a quatro meses. Na nossa Região Autónoma a situação é, felizmente, inversa, sendo a agenda cultural já bastante completa, com festas, feiras, arraiais, festivais, exposições, espectáculos e temporadas de concertos – uma verdadeira tapeçaria multicolor de densidade variável.

Posto isso, e não esquecendo, é claro, a constante responsabilidade perante o exigente perfil colectivo do público madeirense, mas reconhecendo igualmente a importância do benefício económico, será que talvez um melhor conhecimento das preferências culturais dos nossos visitantes – no seu aspecto de parte integrante da oferta turística – possa contribuir para atenuar a oferta tipo “um pouco para cada gosto”, que não é mais do que um tiro no escuro, e para que se possa idealizar uma situação em que a globalidade da oferta não só que consiga adequar-se à procura, mas até consiga antecipá-la?

Robert Andres