Breno é nome que pouco dirá ao universo desportivo. Na verdade, o seu portador é um jovem brasileiro de 23 anos, que sendo um talento para o futebol, e militando nas fileiras do São Paulo, foi contratado há já alguns anos pelo Bayern de Munique. Até aqui, nada na história do jovem paulista se mostra susceptível de gerar surpresa. Acresce que a integração nas fileiras do colosso da Baviera não se processou de forma pacífica. De origem social muito modesta, tal como sucede com inúmeros outros brasileiros que vêm jogar para a Europa, o jovem Breno encontrou dificuldades na adaptação, não se integrou com a facilidade que era esperada na primeira linha do futebol do Bayern, ele que era internacional brasileiro, e acabou por ser objecto de uma cedência temporária ao Nuremberga. Acresce que se até aí as coisas não vinham a correr da melhor forma, a partir daí pioraram. O problema já não se resumia a dificuldades na integração da equipa do Nuremberga: Breno começou a demonstrar dificuldades em integrar-se na própria sociedade alemã, apresentando comportamentos desviantes, que não eram tolerados por quem o acolhera e que esperavam que ele respeitasse as regras do país onde se disponha a trabalhar. De excesso em excesso, Breno foi surpreendido a atear fogo à própria casa, uma moradia avaliada em um milhão e quinhentos mil euros, colocando com isso em risco a integridade das propriedades vizinhas que não chegaram, contudo, a ser atingidas. De acordo com a legislação alemã, a conduta do jovem brasileiro integrava um ilícito penal, pelo que foi acusado, julgado e condenado a uma pena de prisão efectiva de três anos e nove meses de cadeia, pena essa que terá de cumprir após o que será deportado para o Brasil. Principiava assim o drama de Breno a cumprir pena de prisão num país estranho, com regras comportamentais que nada têm que ver com a permissividade habitual na América do Sul, e para mais condenado pela prática de um crime para o qual a sociedade alemã não encontra ponta de tolerância. O jovem brasileiro, com efeito, não apenas tentara destruir a sua própria casa como, com esse comportamento, pusera em risco as propriedades vizinhas que facilmente poderiam ter sido atingidas pelo mesmo fogo. E restava ainda o Bayern de Munique, o seu empregador, pouco habituado a comportamentos que tais, por parte dos seus trabalhadores, até porquanto ainda há pouco tempo o Clube da Baviera trabalhava sobretudo com jogadores alemães. Tudo parecia assim encaminhar-se para um desfecho que apontasse para o fim da carreira de Breno. O que se seguiu, naturalmente não decorre apenas da adopção de uma prática humana por parte do Clube alemão e da preocupação de salvar o homem que existe em Breno. Acontece que o Bayern fez um investimento em Breno da ordem dos doze milhões de euros, e sendo certo que não poderá mais voltar a contar com o jovem brasileiro, ao qual será aplicada a pena de extradição uma vez cumprida a pena de prisão, estará naturalmente interessado em não perder tudo aquilo que investiu com a sua aquisição. E está a apoiar Breno na sua recuperação. Neste momento, o jogador beneficia de um regime aberto no âmbito de um programa de reinserção social, que lhe permite trabalhar durante a parte da manhã com os sub-23 do Clube bávaro e ainda lhe disponibiliza algum tempo para cuidar diariamente da sua própria forma física. Acrescente-se que dentro de pouco tempo o jogador brasileiro poderá ver o regime de que já beneficia alargado, restando-lhe unicamente o encargo residual de ter que ir dormir á prisão. Uli Hoeness, velha glória do Clube alemão e actualmente seu Presidente, em recente conferência de Imprensa, abordou a situação de Breno e referiu a preocupação do Bayern em contribuir para a sua reinserção social, enquanto se mantiver preso na Alemanha, após o que será deportado de acordo com as leis alemães e terá oportunidade de prosseguir a sua carreira no Brasil. Para o jovem brasileiro este episódio negro No seu curriculum deverá ter constituído uma lição de vida se ele tiver a maturidade bastante para retirar dele os ensinamentos necessários. E se não for disso capaz não é seguramente porque o Bayern, que o foi descobrir a S. Paulo quando ainda mal tinha completado dezoito anos, não se tenha empenhado em ajudá-lo, ajudando-se simultaneamente a si próprio uma vez que a verba que investiu na aquisição do seu passe não é propriamente descipienda e agora tem a possibilidade de recuperar pelo menos parte dela quando o jogador regressar “limpo” ao Brasil.
Carlos Sequeira