A população tem sempre ao seu dispor um instrumento fundamental em democracia: o voto. O voto tem um significado ímpar - liberdade de opção - mas deve ser, acima de tudo, um instrumento de avaliação do desempenho daqueles que nos governam, um instrumento de punição daqueles que durante anos esqueceram as pessoas e as suas dificuldades e, sem dúvida, punição daqueles que se esqueceram daquilo que prometeram às pessoas apenas na ambição de obter o seu voto para se perpetuarem no poder. O dia 29 de setembro é o momento de julgar e punir todos aqueles que durante todo este tempo iludiram e não cumpriram, retirando-lhes a possibilidade de continuarem à frente dos destinos da nossa terra. Chegou a hora de mudar e punir aqueles que antes das eleições disseram que não aumentavam impostos e logo após a reeleição foi a primeira coisa que fizeram; aqueles que tiraram o subsídio de insularidade aos funcionários públicos; aqueles que nos aumentaram o IMI de forma repentina e brutal; aqueles que, brincando com a saúde das pessoas, encerraram serviços de urgência; aqueles que obrigaram os nossos agricultores a se coletarem nas finanças ou a abdicar da agricultura de subsistência; aqueles que cortaram os nossos salários e subsídios de férias e de Natal; aqueles que aumentaram o IVA; e todos aqueles que cortaram nas pensões e nas reformas dos nossos pensionistas e reformados. Longa seria a lista de promessas não cumpridas de todos aqueles que prometeram tudo e mais alguma coisa e agora, refugiados na crise económica, usam essa desculpa para justificar o que deviam ter feito e não fizeram. Naturalmente que as pessoas sabem que me refiro ao PSD mas também ao CDS. Na Madeira, o CDS tem adotado uma má postura nas autárquicas – em alguns concelhos chega mesmo a ser uma candidatura de bengala do PSD, procurando fazer oposição à oposição – com um único objetivo: branquear o desempenho dos governantes do PSD, tentando desviar algum eleitorado do Partido Socialista para tentar evitar, a todo o custo a vitória do PS em algumas Câmaras regionais. De uma coisa estou certo. De que os madeirenses estão cada vez mais atentos e apercebem-se de todas estas situações. Os mesmos madeirenses que têm agora a capacidade para fazer uso do voto para pôr fim a estas mentiras e apostar num futuro melhor para todos.

Orlando Fernandes