A crise e as vicissitudes da Natureza têm ajudado Portugal e os portugueses a se consciencializarem da sua pequenez, expondo também algumas das suas opções ridículas.
Veja-se um exemplo simples: até há bem pouco tempo, as famílias consideravam algo inadequado que os seus jovens estudantes comparecessem na escola com livros que não fossem novinhos. Bem pelo contrário, nos países nórdicos, com um nível de vida comprovadamente superior ao nosso, ninguém se sente diminuído pelo facto de aparecer lá na escola com livros de segunda ou terceira mão... Nós, por cá, ilusoriamente ‘ricos’, aceitámos anos a fio fazer esse papel de educadores estúpidos. Mas já está a passar...
Agora, que voltámos a apanhar com a nossa dose semestral da Natureza – ora são as chuvadas, ora o excesso de calor – damos por nós a fazer contas: temos uma imensidão de gente a receber subsídios sociais, muitos pelo infortúnio do desemprego que lhes bateu à porta, outros porque fazem desse aproveitamento um modo de vida. Por outro lado, temos uma série de tarefas que não são executadas em tempo útil, durante o resto do ano, por manifesta incapacidade de quem manda e organiza. E também por falta de recursos humanos para essa tarefa específica, normalmente considerada desprestigiante, mas que atenuaria os castigos da Natureza.
Num país a sério já teríamos legislação que obrigaria, a quem vive do Estado, a contribuir com a sua disponibilidade para tarefas em prol da comunidade. Que é quem sustenta, em última análise, a situação em que caiu.
É verdade que logo se levantariam uma série de questões: como é que um administrativo poderia contribuir para a limpeza das serras? Um exemplo caricato, com respostas caricatas, mas que num país a sério teria uma resposta muito simples: ou limpa, ou fica sem subsídio estatal.
Logo também viriam também aquelas patéticas teses presidenciais, qual Hugo Chávez mas sem dinheiro, na linha da recusa das 40 horas semanais de trabalho. Estratégias popularuchas que educam para a preguiça e para a displicência.
Falta-nos consciência cívica. Para contribuirmos com a nossa parte do civismo que nos é exigido e para colocar na linha quem teima em não saber o que isso é.