A Madeira está a arder. Calamidade absoluta. Incêndios em todos os lados. Não há uma única área totalmente em segurança. Drama nunca visto. Previsível, mas não acautelado. Insuficiência de bombeiros e meios. Friccões incandescentes. Os ventos levantam-se e de imediato fazem cair os mais que falados meios aéreos para atacar os incêndios. As cabeças em andam em chama. Nada escapa às labaredas dos mandantes e dos cinzeiros onde se pisam beatas de cigarros e charutos. A diferença tem a ver com o nível de quem faz férias na Praia do Gorgulho ou na Praia Formosa, no Porto Santo ou em Bruxelas e Estrasburgo. O SESARAM está em cinzas. Os doentes agoniam. Os médicos e os enfermeiros fervem de nervos pelo exíguo número de efectivos e da qualidade e da quantidade dos meios. Os hospitais explodem. As obras nos estabelecimentos escaldam. Há bolsos que rebentam de cheios. A segurança social arde e dizima os utentes. Os desempregados sofrem com os fundos secos. Surgem bombeiros voluntários do interior dos clubes e das associações desportivas, tentando evitar a redução a escombros dessas instituições. As SAD’s lutam pela sobrevivência, mesmo que contando com o privilégio das águas desviadas para as suas sedes. Os transportes atropelam o que lhes aparece pela frente. O consumo queima cada vez mais um povo já em chama ardente. Por muito que grite, é transformado em carvão. Vem a câmara ardente. Parece que ninguém fica com o rabo a arder. Apenas o povo. Cruzam-se faúlhas pelos ares. Vão parar à Quinta da Angústias. O jardim acabará queimado. As avezinhas à sua volta, incluindo a arara, virarão churrasco. Entretanto, uma medida se impõe: é imperioso e urgente evacuar a Quinta das Angústias. Antes que dali partam mais focos que façam os madeirenses acabar todos em cinzas. Os pirómanos estão todos no Governo. Prevê-se que o julgamento se inicie a 29 de Setembro. Antes disso, cuidado com os espalha-brasas.
Eduardo Fonseca