Caros amigos Marítimistas, caros leitores do Diário, bem vindos à temporada 2013/2014. Para nós, que abrimos as hostilidades com um crónico candidato ao título, melhor começo era impossível. Mas relembremos as palavras inaugurais desta temporada. O treinador Pedro Martins admitiu que esta será a época em que teremos o maior desafio a ultrapassar, não escondendo a vontade de voltar a escrever uma página dourada. O Presidente Carlos Pereira frisou que, mesmo neste tempo de imensas dificuldades, o clube não abandona a sua face formadora e que, relativamente ao futebol profissional, está convicto de que no final desta temporada o apuramento para uma competição europeia será uma realidade. Em suma, apesar de todas as dificuldades o Marítimo continua com os seus objectivos intactos, tendo a plena consciência que não possui os mesmos meios que outras agremiações para os atingir. É claro que palavras são muito bonitas. Mas isto para o adepto vale o que vale. Um adepto agarra-se a coisas palpáveis, nomeadamente a dinheiro investido e a reforços sonantes. E nisso o Marítimo não pode acompanhar. Para mais com a saída de nomes importantes na estrutura da equipa, em especial Rafael Miranda, Robérge e Suk, e com a entrada de poucos nomes, nenhum de grande peso, é natural que o adepto desconfie. Se atendermos ainda que quis o calendário que nas duas jornadas iniciais da Liga o Marítimo medisse forças com os actuais vice e campeão nacional, não havia muitas razões para que o adepto se sentisse confiante. Mas se existia dúvidas sobre a qualidade da equipa – e havia... basta ver as considerações, algumas até injuriosas, nas análises dosplantéis – creio que este jogo veio provar que, por cá, para além da qualidade, há muito trabalho (este de muita qualidade) e há organização e vontade. As contratações foram cirúrgicas. E, o viveiro que tem sido a equipa B do Marítimo, é a prova viva de que o trabalho de fornecimento da equipa principal tem sido muito bem feito. Vejamos a equipa que o Marítimo apresentou frente ao Benfica: José Sá (20 anos); Briguel (34), Igor Rossi (24), Rozário (29), Rúben Ferreira (23); Danilo Pereira (21), João Luiz (28) e Alex Soares (22); Artur (29), Sami (24) e Derley (25). Ou seja, o Marítimo entrou em campo com 6 portugueses (o Benfica com apenas 1), e com as estreias absolutas de Sá, Danilo e Alex na I Liga em Portugal. Dos 14 jogadores utilizados, 8 vieram da equipa B, sendo que no banco ainda estavam outros 2. A este número ainda podemos adicionar o capitão Briguel, que veio das escolas do clube. Portanto, das suas fragilidades fez o Marítimo as suas forças, e mesmo com um orçamento reduzido, mesmo contra todas as adversidades impostas por um adversário com muitos outros recursos que o Marítimo não tem, o que se viu em campo foi a vitória clara e, na minha opinião, indiscutível. Mais uma vez, perante uma moldura impressionante no Estádio dos Barreiros e fora dele (a exigir que as obras fiquem prontas o mais rapidamente possível), contra todas as expectativas, os jogadores do Marítimo mostraram a sua fibra e raça e quebraram a malapata dos jogos contra o Benfica nos Barreiros nos últimos anos. Mas atenção, nada está ganho. O campeonato irá ser muito duro e o Marítimo denota algumas limitações e fragilidades, particularmente no miolo do terreno. E não sabemos o que irá acontecer até 31 de Agosto, data que encerra o mercado de transferências. Mas acredito que o Marítimo 2013/2014 não irá fugir à sua tradição, irá honrar a sua históriae prestigiar a região, lutando por um lugar europeu. Está traçada a linha do que se pretende para o Marítimo. Sem desculpas, sem subterfúgios, com muito trabalho e raça.

Luís Miguel Rosa