O governo exige uma prova de ingresso na carreira aos professores, já com vários anos de experiência letiva, profissionalizados por uma universidade que lhes garantiu uma formação científica, pedagógica, bem como um estágio, cordenado e avaliado pelos orientadores da escola e da universidade? Então, este estágio que contemplou, e contempla, a realização de um conjunto de aulas assistidas e a organização de diversas atividades na escola, dirigida aos alunos e a toda a comunidade escolar e que, no final, resulta numa nota quantitativa, não serve para nada? A ser assim, o Ministério da Educação e da Ciência impõe um atestado de incompetência não só às universidades, como também aos seus serviços que aprovam os planos e as diretrizes curriculares dos cursos via ensino e respetivos estágios. Se a formação inicial de professores não cumpre o seu papel, então que trabalhem com as universidades as mudanças necessárias. Os conhecimentos teóricos, de natureza científica e pedagógica são indispensáveis para o exercício da docência, porque só se ensina com qualidade se dominarmos muito bem os conteúdos das matérias que lecionamos. Todavia, quem conhece a realidade das escolas, quem vive diariamente com os alunos e interage com as problemáticas individuais sabe que o facto de um candidato a docente atingir uma excelente nota na prova, que testa apenas uma competência teórica, não garante que, na prática, seja um bom professor, competente e profissional, dentro e fora da sala de aula. Ser professor não é só debitar conhecimentos, implica muito mais! Exige capacidade de liderança, adaptação a novas situações, saber lidar com grupos heterogéneos normais, mas também com os mais complexos, paciência para ouvir e bom senso na intervenção, ser capaz de criar um bom ambiente de trabalho e confiança, sensibilidade para motivar os alunos, assumir uma postura ética, capacidade de diálogo e envolvimento com o PEE.
Rui Caetano Professor