Um episódio triste e vergonhoso duma época de trevas e “escurismo” aconteceu em 1789 quando a loucura colocou uma mulher no altar de Notre Dame de Paris para ser adorada como deusa; seguiu-se o terror, sangue, e caos e a bancarrota sempre mais rota. Um directório quis reparar o caos com um messias paranóico a assaltar os bens de todos os europeus, ferindo e matando mais de cinco milhões. A Pré-Revolução Francesa e a mesma Revolução foi um terramoto cultural, seguido de ‘tesumanis’ e de muitas e destruidoras réplicas até hoje, com muito sofrimentos, mortes, ódios, invejas e perseguições. Muitos pretendem branquear todos os pavores e barbaridades desta série de terramotos com alguns hipotéticos benefícios medidos e pagos em milhões de mortos; e com falsos sucessos de exclusão de Deus, Jesus Cristo, da Igreja católica e do seu Pedro de então, Pio VI. Vã tentativa. Hoje ainda há joio deste branqueamento em muitas mentes. O mês de Agosto celebra a festa da Rainha Coroada com doze estrelas e vestida de sol, no dia 15 e no dia 22. A bela antífona “Salvé Rainha, Mãe de Misericórdia... volvei a nós os vossos olhos” lembra que desde tempos imemoriais os cristãos já rezavam com os dois títulos de Nossa Senhora: Mãe de Deus, no século III, e Rainha, no século X. Terá sido na Alemanha, ou em Le Puy, França, que a Salvé Regina se tornou oração e canto em Latim, em tempos de calamidades, miséria, lágrimas e invasões de esfomeados. Semelhanças com os nossos. Os cristãos suplicavam: Salvé Rainha, Mãe de Misericórdia ... vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e em 1796, primeiro em Ancona, e logo por toda a Roma em que “a cada passo, um altar improvisado e um magote de gente a recita as ladainhas e a Salvé Rainha. Porquê? Era muito o medo de que viessem mais lágrimas com as tropas de Napoleão que se aproximavam. Foi feito o pedido aos Romanos no dia 7 de Julho que rezassem as ladainhas e pedissem que Nossa Senhora se dignasse manifestar a sua Misericórdia. Um cartaz diria mesmo, textualmente, para que Maria “volvesse misericordiosa e bondosa os seus olhos sobre a cidade”. As ameaças de calamidades eram muitas. No dia 8 é feito o reconhecimento do corpo do mais humilde e estranho dos santos, o mendigo Bento José Labre, para abrir o processo de beatificação que iria irritar os “iluminados” de Paris. E logo no dia 9 de Julho de 1796, a Mãe de Misericórdia começou a volver os olhos para os que suspiravam, gemiam e choravam no vale de lágrimas que Napoleão tinha provocado por toda a Itália, perseguindo, roubando e matando. A Mãe de Misericórdia começou logo a consolar e sarar as feridas com os seus olhos ternos, volvendo-os para os seus filhos, em cerca de uma centena das modestas imagens com que durante séculos a tinham honrado nas paredes de ruas, arcos e pontes de toda a cidade. A Rainha Mãe de Misericórdia, solícita, virou os seus olhos, vivos, mexeu as pálpebras, levantou-os e baixou-os para os que acorriam aflitos, e agora, cheios de curiosidade e confiança. Milhares viram os movimentos dos olhos a mexer e olhar para os que paravam e pediam socorro, e para os que acorreram apenas para verificar se era verdade. Muitos foram buscar escadotes, puseram óculos, tiraram os vidros dos quadros. Não se queriam enganar. Ao volver os olhos, Maria lançou sinais a dizer: estou convosco, meus filhos, neste sofrimento e lágrimas. Foi nos meses de Verão de 1796, ano em que Napoleão começou a saquear a Itália e se preparava para derrubar o “estorvo” do Papa, que um dos seus seguidores proclamou: o último. Eram as 8 da manhã quando um fulano corria fora de si na praça dos Apóstolos em Roma, perto da Gregoriana. Ela moveu os olhos para mim, eu vi. Venha ver. Vira a Madona do Archeto a mover os olhos e logo foi espantado dizer ao primeiro encontrado, um maestro de música que foi ver, e viu. E depois outro e outro. E viram. E logo noutras alminhas de Maria, aqui e ali, pelas ruas de toda a Roma, uma centena. E os que viam primeiro, e os que viram depois e os que continuaram a ver, e os que começaram a responder ao inquérito com testemunho jurados diante de Deus, centenas, comoveram-se. Para testemunhar apresentaram-se mais de mil testemunhas. Foi levado a cabo uma recolha rigorosa e exaustiva de 86 testemunhos. A esta juntam-se outras mil declarações juradas, mais sumárias. Todos atestam que viram e como viram e quem eram... uns, uma imagem, outros, outra e outras. A concordância era precisa e total (p.11). Maria é Rainha e continua a reinar mesmo no vale de lágrimas. (Para ler mais: “Os olhos de Maria”, 1ª ed. 2001 e2ª ed. 2010, de V. Messori e R. Cammilleri e nos sites da internet sobre este assunto).

Aires Gameiro