Tenho visto publicadas estatísticas optimistas, que dizem que a procura do destino está a aumentar. Também tenho visto estatísticas que apontam para uma quebra no revpar do destino Madeira. A serem verdadeiras, apontam para uma realidade preocupante: que mais quartos ocupados geram menores rendimentos ou, por outras palavras, que para ocupar quartos, a Madeira está a ter de vender estes quartos a preços mais baixos. A realidade torna-se ainda mais gritante se os valores de revpar forem analisados a preços constantes, isto é, de forma a ultrapassarem as distorções causadas pela inflação. Porque neste âmbito vem-se assistindo a uma quebra mais ou menos constante desde os anos setenta. De uma forma mais clara, desde há quarenta anos que o que cobramos por quarto tem vindo a diminuir. Não posso deixar de concluir que isto é consequência clara de políticas erradas por parte das entidades responsáveis pelo turismo, e pela administração da ilha como um todo: por um lado fomentando a construção de hotéis, aumentando a oferta de quartos, e ignorando os estudos que apontavam para os riscos de excesso de oferta; por outro, pela excessiva cimentização a que se vem assistindo na Madeira, o que leva à redução da percepção de se tratar de um destino natureza. Os nossos mercados estão mais que determinados: são os reformados da Europa ocidental, particularmente os oriundos da Europa dos 12, com um destaque muito especial para Reino Unido e Alemanha. Exactamente os mercados que a Madeira mais vem descurando, pela forma como desdenha os parâmetros de objectivos de férias: calma, natureza, simpatia. Estes públicos não querem festivais e vias rápidas e túneis e fogo de artifício: quer segurança, paisagens deslumbrantes, serviço de qualidade e calma (pouco ruído, um ritmo mais lento e carros que param nas passadeiras). Nota final: O revpar a preços constantes tem caído desde há 40 anos, e os empreendimentos com melhor desempenho são os que se concentram nos nossos mercados tradicionais.
Roberto Loja