É esta a nota que o Marítimo conseguiu no seu exame em Coimbra. O Marítimo chegou a este desafio com duas vitórias e um empate nos últimos jogos, ou seja, com 7 pontos conquistados em 9 possíveis. Era igualmente uma oportunidade de conquistar alguns lugares na tabela classificativa e aproximar-se dos lugares que dão acesso a uma competição europeia, o tal objectivo proposto no início da temporada pelos responsáveis verde-rubros. Do nosso lado estava ainda a história mais recente nos confrontos entre estes dois emblemas históricos do campeonato português, com quatro vitórias nas últimas quatro visitas a Coimbra. Se é certo que não se tratou de um jogo muito interessante, onde as oportunidades de golo também não abundaram, porém esmiuçando o que se passou nas quatro linhas, o Marítimo foi a única equipa a assumir as despesas do jogo e a única equipa que quis e tentou vencer a partida.
Só não sai de Coimbra com um ‘Muito Bom’ porque, mais uma vez, foi traído por um erro defensivo. É certo que se pode defender que sem erros também não há golos.
Porém, 25 golos em 13 partidas são demasiados “erros”, que têm vindo a custar muitos pontos na presente temporada. E quando a pontaria não está nos melhores dias, como foi o caso, a incapacidade desta equipa de não sofrer golos traz acrescidos problemas. Para termos noção do enquadramento disto tudo, bastará recordar que estávamos perante o pior ataque da Liga. Pelo que, no meio disto tudo, lá a Briosa conseguiu um ponto, apesar da desinspiração gritante da primeira parte e do abdicar do ataque para defender a vantagem na segunda metade.
Seja como for, é indiscutível que o Marítimo que vimos em jogos contra o Belenenses ou o Paços de Ferreira parece cada vez mais longe. Confirma-se um Marítimo em franca recuperação, com um dos ataques mais produtivos do campeonato e uma sede enorme de pontos. É verdade que continua desequilibrado no momento defensivo – o que não me canso de dizer que é grave e parte sobretudo de um meio-campo ineficaz – e apesar das suas limitações, é inegável a subida de rendimento de vários jogadores e de um colectivo de parece querer voltar aos melhores tempos.
Pelo que me preocupa as últimas declarações do Sr. Presidente, quando disse que Héldon, Derley e Sami podem sair já em Janeiro. Se Sami, cujo contrato termina no final da temporada, ainda compreendo, já os outros não. É certo que a equipa precisa de vender para ‘sobreviver’. Mas esta venda não pode ser feita com o custo de delapidar a equipa dos seus melhores valores. Héldon e Derley estiveram presentes em todos os 13 jogos da Liga, e a par de Rúben Ferreira, são os jogadores mais utilizados por Pedro Martins. Dos 21 golos marcados pelo Marítimo, 16 são destes dois jogadores, o que representa um brutal peso de 76% na máquina ofensiva da equipa. Portanto é fácil de perceber que a saída destes jogadores em Janeiro, por muitas alternativas que possam existir, será um golpe irrecuperável para a presente temporada. Vender sim. Mas tudo tem o seu timing. E este não é claramente o momento certo!
Uma palavra para a equipa B que termina a primeira volta num excelente 5º lugar. Mérito para o trabalho do Ivo Vieira, que vem preparando uma nova fornada de talentos para a equipa principal. Por fim, o museu CR7. Para muitos pode parecer uma ‘tontice’ ou qualquer coisa mariscada do ego do rapaz. Mas para quem tem por hábito sair da ilha já com certeza se deparou com esta situação: “Português? Ahh.. Cristiano Ronaldo!”. Vale ouro para a Madeira este rapaz. Saibamos capitalizar.
Luís Miguel Rosa