Manuel Pedro da Silva Freitas Na tradição natalícia madeirense, as missas do parto ocupam um lugar de relevo. Realizadas de madrugada, associadas a grandes folguedos, onde não faltam os foguetes, a música e os comes e bebes, as missas do parto constituíram, até há bem poucos anos, uma festa sem contestação e ao gosto de todos os madeirenses. Contudo, nos últimos tempos têm surgido algumas vozes discordantes, sobretudo em consequência do ruído associado, quer em resultado da exteriorização dos sons das cerimónias, quer pelo ruído produzido pelos foguetes, pelas bandas de música ou pelos acordeões, violas e cantares. Contudo, as missas do parto sem serem realizadas pela madrugada, sem que os seus cânticos característicos, a sua música e o fogo se estendam diariamente a toda a comunidade, esmagadoramente comprometida com a sua organização, não sabem a festa. Sendo assim, e para que haja festa, é importante que, por parte de todos quantos, pelas mais variadas razões, se opõe ao formato da vivência desta tradição se verifique alguma tolerância. Afinal de contas, são poucos os dias de um despertar ruidoso e forçado mas, em compensação, essa mesma tradição que querem ver destruída, e que lhes tira o sono, também lhes permite viver tudo o que tem de belo e mágico esta quadra natalícia e ainda algumas tolerâncias de ponto e feriados Sou o vizinho mais próximo da igreja do Estreito, vivo quase “em cima do adro” e, por isso, nem necessito de me levantar da cama para ouvir as missas, quer sejam transmitidas, ou não, através de altifalantes da torre da igreja, hoje contestados. Por isso, nesta quadra, faço um esforço por não destruir a tradição: deito-me mais cedo, porque sei que, nestes dias que antecedem o natal, a música, as cerimónias religiosas e o fogo me irão despertar também mais cedo. A pena é que nem sempre um Karaoke, situado nas proximidades, que não é tradição nem me dá feriados, mas está aberto todos os dias do ano, me deixe adormecer.