Estão as cidades e os campos cheios da desgraça que cai do céu a potes, mais a que sai dos gabinetes aos magotes; Os ribeiros e as ribeiras reagem aos desvarios e à ação de desleixo, inércia, consentimentos mal pensados e permissões de favor cujos reflexos são a tristeza que vemos a cada canto da Madeira; O mar erode, alui, abre fendas, devasta obras mal calculadas, mal feitas e também desnecessárias, erigidas apenas para satisfazer caprichos e por teimosia também pelos loucos do poder; O mar é, cada vez mais, invadido por aterros e por estruturas mal concebidas, condenadas por técnicos competentes, mas quem administra o dinheiro cegamente, surdamente, mudamente, impunemente, arrogantemente, sinistramente, criminosamente avança na direção do abismo sem consciência do que gasta mal gasto e do que não aplica convenientemente em áreas prioritárias; A governação não tem culpa das tempestades, mas já tem culpa das consequências que essas tempestades trazem aos povos, quando está à vista de todos que a atuação incurial de quem manda é culpada dos estragos daquilo que se constrói ao sabor do acaso, ao deus dará; Se na parede duma casa de doidos tem um quadro que diz “nem todos os que aqui estão são, nem todos os que são aqui estão”, então nas cadeias da Madeira deveriam colocar uma legenda que dissesse “nem todos os que aqui estão devem, nem todos os que devem aqui estão”. Há também aqueles que deveriam estar nos dois tipos de estabelecimento, criando-se num deles, valências adequadas para o efeito. Uma coisa ressalta à vista e ao pensamento: é enorme a erosão do governo e o partido que o suporta e não admira que por isso esteja a aluir e a definhar-se. As tempestades erodem as terras e acabam erodindo os governos que não se prepararam para elas. É que não há a mínima dúvida de que este regime que tomou conta da Madeira, pelas formas que sabemos, e que nunca mais a largou, tem muitas obras e pouca obra. Gastou o muito dinheiro que lhe caiu nas mãos, mas aproveitou-o tão mal que, mal de nós se ele não erode, porque senão o povo cada vez mais se lixa. E, se lhe tiram o pão, que saia à rua e se manifeste por eleições, urgentemente, porque é imperioso que continue a mudança.

Eduardo Fonseca