Em plena época de natal, época tradicional de partilha, de generosidade para com o próximo vale a pena recordar que a hospitalidade se insere nessa dimensão humana e que ela é a base do sucesso de qualquer destino turístico, e na Madeira não poderia ser diferente. Como é sabido, o turista é aquele que se desloca do seu local habitual de residência para outro, mais ou menos distante, onde pernoita e fica ao cuidado de terceiros, locais, que lhe prestam os serviços que habitualmente necessita, e recorre, para a sua vivência diária. Digamos que o turista quando num destino turístico se encontra num meio «estranho» e que, com maior ou menor probabilidade, obtém tudo o que necessita como quando está em sua casa, nas diferentes estruturas de acolhimento disponíveis, desde o hotel (a sua casa temporária no destino) aos equipamentos de lazer, passando pelos próprios cuidados de saúde, se for o caso. Daí que seja fundamental na actividade turística o papel humano, a atitude de quem presta serviço ao turista em qualquer nível da cadeia de atendimento, á chegada, no transporte, no alojamento, na excursão, no restaurante, no quiosque de imprensa, no café, no supermercado, no shopping, no centro de saúde, no museu, em plena rua onde circula, etc. Fundamental, porquê? Porque se a atitude de quem se vê confrontado com o turista nas suas múltiplas tarefas ou ocupações diárias não for, para além de competente no esclarecimento ou na resposta que dá, simpática, ou, como é uso dizer-se na gíria internacional, «friendly», o turista sente uma espécie de repulsa pela falta de vontade em querer corresponder e ajudar, o que levado ao extremo, pode ser o suficiente para criar-lhe uma impressão geral negativa do destino e levá-lo a não voltar mais, prejudicando a sustentabilidade do mesmo. Na Madeira, parece não ser o caso, mas não é demais recordar este aspecto particular da actividade, ainda por cima, numa época de grande frequentação turística em que, muitas vezes, os profissionais, e não só, estão esgotados ou a padecer de problemas pessoais decorrentes de uma conjuntura desfavorável das suas próprias vidas. Para os hoteleiros, a questão é sobremaneira importante, tanto mais que a questão da hospitalidade e da simpatia do pessoal pode compensar deficiências do produto que oferecem ou do próprio serviço que prestam ao ponto de em algumas situações ser a «estrela» que falta ou se acrescenta á unidade. Por isso, repito, a hospitalidade, enquanto dádiva partilhada, é usual e particularmente sentida na época de natal em que nos encontramos, mas não deixa de ser decisiva todo o ano na actividade turística que vive dela como uma componente primária da prestação do serviço e disciplina essencial na formação do profissional que pode representar a diferença que o qualifica como trabalhador excelente e que torna o destino onde trabalha mais competitivo do que um outro com o qual concorre. Hospitalidade e turismo, duas faces da mesma moeda!
Nuno Jardim Fernandes