Há dias ouvi um membro do governo da República que dá pelo nome de vice-primeiro ministro, cargo ocupado após chantagem sobre o chefe do governo e que provocou enormes prejuízos ao país, que todos os cidadãos que pagam impostos terão de pagar, dizer que as exportações atingiram aumentos nunca vistos em Portugal. Curiosamente alguns dias depois vi nos telejornais das nossas televisões que o aumento das exportações tinham sido de cerca de 5,6%, quando no tempo do governo anterior esse número andava pelos 17%. Por outro lado ouvi, também que as exportações já representavam quarenta por cento do PIB (Produto interno bruto) e que esperam atingir em breve os 45%. Estes números seriam muito bonitos para a economia do país, se o Produto Interno Bruto não tivesse baixado, e as exportações se mantivessem num crescimento idêntico ao do governo anterior. Seria preferível termos um crescimento de 30 ou 35%, mas com o mesmo PIB do que 40 ou 45% de um PIB muito mais baixo. Notem bem, como se enganam as pessoas. Grande parte do tecido empresarial exportador, desapareceu por falta de diversificação de mercados, por falta de financiamentos adequados e também por teimosias idiotas do actual governo. Veja-se por exemplo o caso do Magalhães que quiseram acabar e depois fizeram marcha atrás, acabando só em Portugal, mas mantendo nalguns países como o caso da Venezuela, da Colômbia, da Inglaterra e outros. O facto de ter sido construída uma fábrica na Venezuela com vista ao abastecimento daquele país e toda a América Latina, levou o atual governo a esse recuo. O fomento da exportação feito pelo governo anterior, apoiando a modernização das empresas viáveis está agora a dar os seus frutos e pena foi que este governo não soubesse continuar esse programa. Também foi interessante os contratos conseguidos com a Venezuela que são pagos em petróleo através da Galp. Pena foi que este governo tivesse arranjado quezílias com aquele país e com Angola, pois fizeram parte da tal diversificação de que já falamos. A nível regional, por exemplo, deveríamos ter tratado há muito tempo da reestruturação de algumas das nossas vinhas, com vista a uma maior exportação do Vinhos Madeira, nomeadamente para os Estados Unidos, que quer comprar mais, mas das castas tradicionais. Recordo que o mínimo que precisamos é de dez anos para que se vejam alguns resultados contados a partir da data da plantação, mas pode demorar mais. A vinha demora cinco a seis anos para entrar na velocidade de cruzeiro de produção e o vinho de castas tradicionais, demora no mínimo cinco anos….Se os vinhos forem de dez anos demora 15 e assim sucessivamente. Sempre achamos que os EUA poderiam ser um excelente mercado para o nosso vinho. Não nos esqueçamos que a declaração da Independência foi comemorada com vinho Madeira. Uma boa campanha nos estates, apoiada por uma boa produção garantia uma boa exportação, de tal maneira que penso que toda a Ilha a produzir vinho do lado direito e do avesso, não conseguiria produzir o suficiente para que os norte americanos comemorem o 4 de Julho…

Duarte Caldeira Ferreira