A experiência é um dos vários critérios a usar na hora de traçar o perfil do treinador a contratar e sobre o qual muito se especula. Como avaliá-la? Muitos confundem idade com experiência e esta com COMPETÊNCIA, esquecendo, porém, que a última não depende da primeira para se manifestar. Nada mais pertinente do que uma entrevista pessoal com o candidato para combater o receio em arriscar num treinador que não tenha a tal “experiência” numa liga profissional em detrimento de outro que já tenha “calo” nesse patamar. É o momento ideal para dar a conhecer a sua verdadeira filosofia e ambição (sobretudo se se trata de um treinador menos conhecido) e uma oportunidade de ouro para que o dirigente possa ver respondidas questões nem sempre fáceis de avaliar e que condicionam, e muito, a escolha final: a) capacidade de liderança; b) capacidade na gestão de conflitos; c) capacidade de motivar e aumentar a auto-confiança dos jogadores; d) grau de conhecimento táctico; e) proficiência dos métodos de trabalho (aprazíveis e facilitadores de aprendizagem com alto transfere para a competição?), etc. Como poderá o dirigente avaliar tudo isto de forma mais fidedigna? Nada melhor que recorrer a referências deex-jogadores, afinal foram eles que conviveram diariamente com o treinador. Ainda que não lhe seja solicitado, qualquer treinador que confie na sua COMPETÊNCIA poderá antecipar-se e ceder uma lista completa com o nome de cada ex-jogador, telefone, ano e clubeem que trabalhoucom esse treinador e ainda a respectiva condição de utilização (titular/suplente). Assim, coloca-se o dirigente à vontade para obter referênciase questioná-los sobre episódios vivenciados e que tenham a ver com os pontos anteriores (alíneas A aE) para tentar aferir (quiçá, com alguns exemplos práticos) como é que o treinador em questão agiu no passado em diversas situações e se, na respectiva opinião, foi, ou não, capaz de lidar bem com elas. Todavia,é aconselhável e coerente que o dirigente contacte pelo menos 1 habitual titular e 1 suplente de cada clube representado pelo treinador(a informação positiva do jogador suplente deve pesar um pouco mais do que a do titular pois, regra geral, quem joga de início está mais satisfeito, e vice-versa). É na pró-actividade que ambos poderão aumentar as respectivas probabilidades de êxito, o dirigente no acerto da escolha do treinador e este, na confiança e credibilidade que irá transmitir, primeiro, a quem o contrata e depois, certamente, junto dos seus futuros jogadores!

Bruno Pereira Treinador de futebol