Na sequência do meu último escrito, há que assumir o compromisso, de se passar de um plano teórico, de natureza conceptual, para a implementação de uma estratégia de concretização, que permita tirar proveito das potencialidades que o Mar encerra, na nossa envolvente particular de “nação” insular. Aproveitando a reflexão já concretizada por entendidos na matéria, refiro-me ao denominado Relatório «Blue Growth for Portugal», produzido para a COTEC Portugal - Associação Empresarial para a Inovação da autoria de Tiago Pitta e Cunha, torna-se relativamente mais fácil, identificar os sectores económicos do Mar, onde a Região, terá que capitalizar de forma mais eficiente, de maneira a aumentar significativamente o valor acrescentado destes sectores na economia regional. Com efeito, são unanimemente identificados os seguinte sectores de potencialização da economia do Mar e que podem ser adequados, atendendo à sua especificidade, à realidade regional: transportes marítimos; empresas de administração portuárias; operadores portuários de concessões públicas; equipamento, construção e reparação naval; pesca e alimentação de origem marinha; aquacultura e finalmente o sector do lazer e do turismo marítimo. No que toca à Vela Madeira, o setor do lazer e do turismo marítimo, será a sua “praia”, devendo para isso, existir o tal compromisso por quem de direito, em esbater e mesmo eliminar, as barreiras administrativas e burocráticas que hoje se erguem aos utilizadores da náutica de recreio, nomeadamente a legislação que regula as empresas marítimo-turísticas e a flexibilização de regras e simplificação de processos associados a graus e cartas náuticas, concedendo equiparações a sistemas estrangeiros, que permitam que o turismo náutico seja liberto dos constrangimentos de terra firme. Neste campo impõe-se a criação de acessos ao Mar úteis, de zonas de estadia para residentes e passantes com qualidade, de curta ou longa estadia, e de uma infraestrutura que permita receber eventos náuticos internacionais condignamente e desenvolver a Vela de formação, importante pilar da modalidade no contexto regional, pelo seu cariz social e educativo. Aliada a esta visão conceptual de “Estado” para o setor, e por este ser um sector muito particular, deve-se navegar numa lógica agregadora em termos de auscultação dos implicados, sejam utentes, praticantes, clubes, associações, na tomada de decisões pelas entidades competentes, por forma a que o resultado final destas ações, seja potenciado ao máximo, quer sejam nas intervenções dos acessos ao Mar, na criação de áreas de turismo náutico e de lazer, nas alterações legislativas ou nas medidas de impacto fiscal e financeiro, é fundamental que os vários players sejam implicados, pois, “peso na borda”, só vale, quando está todo do mesmo lado.
Sérgio Jesus Presidente da ARVM - Vela Madeira