Vergados ao dever a que sempre nos obrigamos de ser mais maldizentes do que o vizinho, continuamos a esquecer o que de bom existe neste País e que é resultado do trabalho deste Povo. Fechamos os ouvidos às notícias que nos podem animar e cerramos os olhos ao renascer que se vislumbra nalguns sectores. Não por conta da recuperação ou da saída da recessão, se bem que isso sejam factores que ajudam neste reerguer de ânimos, mas porque cansámos de viver num país amordaçado pela austeridade e flagelado pelo desespero de quem pouco tem e o que tinha chegava, em muitos casos, sem muito esforço. É bom que se tenha feito essa reflexão a começar por casa, e se entenda porque a situação saiu de controlo, porque perdemos os anéis e deixámos cair no buraco a vontade e a determinação de batalhar e enfrentar os que nos querem tirar o pouco que temos. Ficaram os dedos, e os braços, para trabalhar e lutar. A conclusão cria, na maioria, amargos de boca, a sensação inglória e perturbadora de que nada está nas nossas mãos, mas sim nos governos que nos levam os tostões e que nos querem privar de tudo. A justificação (desculpa) terrível. Mas há vencedores nesta pugna: os guerreiros que acreditaram que tinham de mudar de atitude, de contribuir para o renascimento de um País e criar para si próprios uma nova dignidade. Na procissão dos maldizentes, juntaram-se os desgraçados que nada tinham, que naufragaram na miséria, também de espírito, que ninguém está livre. Não tiveram ânimo, não lograram ajuda e não souberam encontrar a palavra de incentivo que tanto falta nesta sociedade, entre familiares e conhecidos, em que muitos exibem umas boas centenas de “amigos” nas redes sociais, mas que nunca viveram tão solitários como agora. Coisas deste tempo. Portugal está no pelotão da frente dos países que mais apostam na inovação na Europa. Aumentámos significativamente as exportações nos últimos meses. Os produtos portugueses, em diversos sectores, são dos mais procurados e com maior valor comercial em muitos cantos do mundo. Os portugueses voltaram a emigrar. Há coisas boas e outras menos boas. As contas começam a bater certo. Afinal? Precisamos reconquistar Portugal e unir os Portugueses. Mas, atenção, não podemos contar com quem não quer mudar de atitude e não quer cortar com o passado. Lá, como cá, nestas ilhas, onde meia dúzia quer barrar o progresso e tirar o lugar a quem tem ideias e valor. Serviram-se, usaram e querem destruir. Não vamos deixar.
Catanho Fernandes Jornalista